Boas vindas

Sejam bem vindos!

Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e no Atendimento Educacional Especializado (sala de Recursos Multifuncionais).


10 de abr de 2010

Condições para a aprendizagem

O processo de aprendizagem é muito mais complexo do que parece; não está somente voltado às funções cerebrais e sua relação com o processo cognitivo, mas também com a forma particular de processamento de informação, que depende da estrutura cerebral e da estrutura psíquica, mais conhecida por estrutura afetiva.
Na verdade o termo psíquico ou afetivo é utilizado para explicar que cada ser tem uma forma de aprender, de conhecer, de compreender, de interpretar, ou seja de ver o mundo. Esta forma é influênciada por questões emocionais e pela genética.
O desenvolvimento do cérebro e da mente se dá a partir das experiências vividas. Desde o nascimento fazemos parte de um mundo já organizado, com suas normas sociais e sua história e é nesta interação com o meio que construímos, estruturamos e reorganizamos nossa aprendizagem; porém isto só ocorrerá na presença de condições adequadas.
E quais seriam essas condições?
Essas condições estão ligadas a fatores externos, como os aspectos sociais relacionados à família, amigos e escola (incluindo a metodologia utilizada por esta), e aos fatores internos do indivíduo, os quais estão relacionados ao desenvolvimento dos processos neuropsicológicos, conforme veremos a seguir:

PROCESSOS NEUROPSICOLÓGICOS
  • Gnosias ou processamento perceptivo: reconhecimento de um objeto de forma sensorial (visual, olfativo, auditivo, tátil).
  • Praxias ou processamento psicomotor: execução de atos voluntários aprendidos durante a vida (comer, vestir, escrever, caminhar, etc.). O processamento psicomotor se dá em três dimensões.
    -Motora - equilíbrio, tonicidade, controle e dissociação de movimentos.
    -Cognitiva - noção de tempo e espaço.
    -Afetiva - está relacionada a forma como cada um aprende.
  • Atenção
  • Memória
  • Linguagem

    Quando falamos em aprendizagem precisamos sempre levar em consideração: "com o que se aprende", "quem aprende", "como se aprende" e "o ambiente no qual se aprende".
    Basta o desequilíbrio em uma dessas situações para que se instalem problemas durante o processo de aprendizagem.

    Referência:Dificuldades de aprendizagem, detecção e estratégias de ajuda.
    Autoras: Ana Maria Salgado (Psicóloga)
    Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

Transtornos perceptivos

Dando seguimento ao tema dificuldades de aprendizagens, elaborei um breve resumo a respeito dos transtornos que podem surgir quando ocorrem problemas nos processos neuropsicológicos, e sugestões de algumas atividades.
AGNOSIAS
É a impossibilidade de reconhecer um objeto por meio da percepção. São divididas em visuais, auditivas e táteis.

Agnosias visuaisEsta alteração ocorre em pessoas que mesmo tendo a visão perfeita, não conseguem identificar o que vêem, ou seja, é preciso que toquem no objeto para reconhecê-lo. Este tipo de agnosia afeta habilidades importantes como:
  • Atenção visual - capacidade de fixar a atenção em um estímulo percebido visualmente.
  • Discriminação visual - capacidade em perceber as diferenças entre objetos de formas similares ou letras de grafia semelhante.



  • Diferenciação figura-fundo - capacidade em focar sua atenção apenas no que é relevante.

    Nesta atividade pode-se usar obras como a de Wassily Kandinsky (1911).
    QUAIS FIGURAS GEOMÉTRICAS VOCÊ RECONHECE NAS OBRAS ABAIXO?


  • Constância visual - capacidade de perceber as propriedades dos objetos de forma constante.



  • Coordenação visomotora - capacidade de coordenar a visão com movimentos do corpo ou de uma parte do corpo.

 
Atividade para coordenação viso-motora com recortes:

Apresentar ao aluno as figuras abaixo e solicitar que reproduzam por meio de recorte e colagem. O aluno deverá recortar papéis de várias cores e colá-los em uma folha sulfite de forma que fiquem iguais as figuras apresentadas.


UMA SUGESTÃO PARA TODAS AS FAIXAS ETÁRIAS É O JOGO DOS 7 ERROS, POIS AUXILIA NO DESENVOLVIMENTO DE TODAS AS HABILIDADES PERCEPTIVAS VISUAIS.

APROVEITE E JOGUE TAMBÉM, EXERCITE SUA MENTE!!!
 
Agnosias auditivas
É o defeito na capacidade de reconhecer a natureza dos estímulos auditivos sejam eles sons verbais, musicais ou sons que não pertencem a língua. Afetam as seguintes habilidades:
  • Atenção auditiva - capacidade de fixar a atenção em um estímulo percebido auditivamente.
Atividades
1-Pedir às crianças que descrevam, repitam ou imitem sons escutados fora da sala de aula:
Sons de sino
Pessoas caminhando
Cachorro latindo
Campainha do telefone
2- Dar a elas a oportunidade de ter períodos curtos nos quais escutem em silêncio poesia, histórias e canções.


  • Discriminação auditiva - capacidade em diferenciar a similaridade ou diferenças entre os sons que formam a língua oral.
Trabalho com rimas
Dominó com rimas

Trabalho com som inicial ou som semelhante




  • Diferenciação figura-fundo - capacidade em focar sua atenção apenas no que é relevante. Neste caso, estamos falando sobre focar a atenção em somente um som.
Atividades1-Tocar duas músicas diferentes, ao mesmo tempo, e pedir que as identifique.
2- Trabalhar com vários sons misturados (buzina, cachorro latindo, água caindo,etc.).


  • Memória auditiva - capacidade de recordar estímulos auditivos.
Atividades
1-Fazer com que as crianças antecipem os sons ou palavras das histórias, poesias ou canções.
2-Fazer com que as crianças com olhos fechados identifiquem sons.
3- Pedir às crianças que reconheçam sons similares ao início, meio e final das palavras.
Agnosias táteis
É a incapacidade de reconhecer os objetos através do tato, tendo dificuldade em distinguir a temperatura, textura e em reconhecer de objetos em três dimensões.

Atividades
Dominó para percepção visual e tátilAuxilia na discriminação visual e tátil das quantidades.
Sua espessura foi aumentada para que as crianças que possuem preensão prejudicada possam manuseá-lo. A identificação da quantidade, em feltro, permite utilizar a sensibilidade tátilsinestésica. A cor vermelha sobre o marrom permite um bom contraste visual.
Descrição:
Dominó de madeira,
medindo 9 cm de
comprimento, 4 cm de
largura e 0,5 cm de
espessura. A
identificação da
quantidade é feita com
feltro vermelho.

Dominó de figuras geométricas
Permite a discriminação visual e tátil das figuras geométricas. O jogo pode ser manuseado sob a carteira ou na posição “em pé”, permitindo movimentos de flexão e extensão de braços. As peças com imãs facilitam a fixação sobre o tabuleiro, principalmente, aos alunos com dificuldade no manuseio.
Descrição:
Este dominó é de madeira e
possui as figuras geométricas
(círculo, quadrado, triângulo)
em relevo, pintadas nas
cores azul, vermelho,
amarelo e verde. Sob cada
peça foi colada um imã. As
peças são utilizadas sobre
um tabuleiro de latão
revestido com papel contact.

Dominó de texturas
Permite o desenvolvimento da discriminação visual de padrões e discriminação tátil, requisitos importantes para alunos que tenham alterações sensoriais e dificuldades para discriminar, perceptualmente, estímulos visuais. Pode ser utilizado para viabilizar a alfabetização, que exige discriminação apurada de símbolos na forma gráfica.
Descrição:
Confeccionado em madeira
com aplicação de diferentes
tecidos: lã, veludo, malha,
brim e seda.

Jogo de adivinhação
Permite trabalhar com percepção tátil sinestésica, discriminação e identificação de formas e texturas. Dentro da caixa coloca-se um material com determinada textura ou forma e a criança deverá reconhecê-lo e procurar o correspondente fora da caixa.
Descrição:
Recurso composto por uma
ciaxa de madeira, com uma
abertura na lateral, em forma
de círculo, onde é fixado um
pé de meia de jogador de
futebol. No fundo da caixa é
colada uma tira de câmara de
ar de bicicleta, que serve como
antiderrapante e que ajuda a
fixar a caixa sobre a mesa.

Dominó de percepção manual


Fonte:http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/rec_adaptados.pdf
Livro:Dificuldades de aprendizagem,detecção e estratégias de ajuda.
Autoras:Ana Maria Salgado (Psicóloga)
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

Transtornos psicomotores

O objeto de estudo na Psicomotricidade é o corpo e suas manifestações; o conceito de corpo inclui posturas, gestos (olhar, mímica) e as praxias (movimentos voluntários e aprendidos). Trata ainda da construção do corpo nas dimensões motora, cognitiva e afetiva.
As três dimensões formam uma unidade; durante o processo de desenvolvimento caso ocorra qualquer alteração em uma delas, sua recuperação se dará não só por exercícios dirigidos, mas também oferecendo tempo e espaço para que a criança utilize suas capacidades de elaboração e resolução de dificuldades, recuperando o prazer e o poder do movimento por meio de brincadeiras e ações diferenciadas, as quais iremos conferir mais adiante.
Dimensão motora
Sua construção está submetida a maturação neurológica.
- evolução da tonicidade muscular.
- desenvolvimento das possibilidades de equilíbrio.
- desenvolvimento do controle e dissociação dos movimentos.
- desenvolvimento da eficiência motora (velocidade e precisão).
- definição da lateralidade.
As aquisições acima permitem a existência das coordenações dinâmicas gerais e das manuais.

Testes para investigação da lateralidade
  • Olho dominante: oferecer um papel retangular (papel cartão) com um orifício e solicitar que a criança olhe por ele, fechando um dos olhos, na direção de uma figura (pode ser o desenho de uma paisagem). O olho dominante será o que ficou aberto para a visualização da figura.
  • Mão dominante: solicitar que a criança faça um desenho, para observar qual mão utiliza ou fazer uma brincadeira jogando objetos para que ela agarre com uma mão só. A mão dominante será a que ela utilizar para agarrar ou desenhar.
  • Pé dominante: solicitar que chute a bola ou que fique apoiada em um pé só. O pé dominante será o que utilizar para apoiar-se ou para chutar a bola.
Lateralidade
-Destra: olho, pé e mão direita são dominantes.
-Canhota: olho, pé e mão esquerda são dominantes.
-Ambidestra: utilização das duas mãos.
-Lateralidade cruzada: quando a mão esquerda é dominante, ao mesmo tempo em que a perna direita; ou no caso de se ter o uso da mão direita e o olho esquerdo.
As dificuldades de aprendizagem relacionadas à lateralidade não só ocorrem no caso de crianças canhotas que são obrigadas a utilizar a mão direita, como também em crianças que apresentam a lateralidade cruzada. Nestes casos é necessário que a intervenção tenha como objetivo organizar sua Psicomotricidade, utilizando uma série de exercícios visuais, motores e escritos.
Os transtornos de lateralidade afetam também a leitura e a escrita, confundindo a direção das letras(b-d,p-q,m-w-3,n-u,t-f-j) e das palavras (lêem sale em vez de elas).
* As atividades utilizadas para discrimição visual, apresentadas em transtornos perceptivos, podem ser utilizadas neste caso.
Atividade para conhecimento do corpo

1ª parte
Solicitar que as crianças formem duplas e uma fique de frente para a outra. Conforme for dito o nome de uma parte do corpo como, por exemplo, pés, mãos, barriga, orelhas, etc., cada criança deverá apontar para as partes de seu próprio corpo.
2ª parte
Esta atividade será feita da mesma forma, porém quando for dito o nome das partes do corpo, cada criança apontará para a parte do corpo da outra criança, por exemplo, quando for dito barriga, a criança apontará para a barriga de sua parceira.
3ª parte
Esta atividade ficará um pouco mais complexa, pois será também trabalhada a lateralidade. Quando for dito o nome da parte do corpo, por exemplo, pé direito, cada criança deverá apontar para seu pé direito e de sua parceira, desta forma compreenderá a lateralidade de seu ponto de vista e do ponto de vista do outro.

Atividade para coordenação dinâmica

Esta atividade tem por objetivo trabalhar com o equilíbrio, que é a base essencial da coordenação dinâmica geral a qual possui a finalidade de melhorar o comando nervoso, a precisão motora e o controle global dos deslocamentos do corpo no tempo e no espaço.
Os conceitos espaciais: direita, esquerda, atrás, na frente, entre, perto, longe, maior, menor; são vivenciados através de movimentos específicos. A partir daí propomos exercícios com maior intensidade.
Solicitamos á criança o seguinte:
- Andar de cabeça erguida
A criança deverá andar com um objeto (pode ser um livro de capa dura) sobre a cabeça, sem deixá-lo cair.
-Dominada esta etapa a criança para, levanta uma perna formando um ângulo de noventa graus e coloca-se lentamente no chão.
O mesmo trabalho deverá ser feito com a outra perna.
-Que tal se alongar?
A criança deverá esticar maõs e pernas como se fosse pegar algo no alto, até ficar na ponta dos pés e voltar gradativamente a posição inicial; esta atividade será repetida 2 vezes.
 
Atividade para percepção global do corpo

Nesta atividade serão trabalhadas as posições do corpo e diversas possibilidades de deslocamento, com o objetivo de que a criança desenvolva a percepção global de seu corpo, sua unidade e da posição no espaço.
São quatro posições que trabalhadas: em pé, sentada, agachada e deitada.
Primeiramente será explicado à criança que a atividade envolve as quatro posições do corpo e para isso treinarão cada posição separadamente, ficando por algum tempo sentada, em pé, agachada e por último deitada. Após isso o exercício será iniciado.
Pedimos á criança para que comece a caminhar acompanhando as palmas. Quando as palmas pararem a criança deverá parar e colocar-se em diferentes posições de acordo com o que for solicitado.
Por exemplo:
- parada, bem encostada na parede
- sentada no chão, com as costas apoiadas na parede e as pernas esticadas
- parada, tentando crescer o máximo possível (esticando-se)
- sentada com as pernas cruzadas
- deitada, totalmente relaxada
- deitada de lado
- agachando e levantando (brincadeira de morto ou vivo)

Atividade com percurso
No chão são colocados os seguintes objetos (distantes um do outro): bola, garrafa, cubo e um livro, o professor/examinador percorrerá o trajeto de um objeto para o outro e a(s) criança(s) deverão segui-lo.
Após esta etapa, o trajeto será desenhado na lousa e criança(s) deverão segui-lo novamente, sem o auxílio do professor/examinador.
Para finalizar as crianças terão um tempo para percorrer o trajeto.

Dimensão afetiva
O desenvolvimento psicomotor se dá de forma similar na maioria das crianças, porém é marcado em cada um pelo estilo próprio, ou seja, de acordo com as características do meio em que esta criança está inserida e as situações que vivencia.
Utilizamos o termo afetivo não como algo relacionado ao aspecto emocional, mas sim a capacidade de cada ser humano pensar, falar, aprender, sentir e agir a seu modo. Nesta dimensão destaca-se, ATENÇÃO, MEMÓRIA, PENSAMENTO E LINGUAGEM, que falaremos mais adiante.

Dimensão cognitiva
O desenvolvimento cognitivo está relacionado ao domínio das relações espaciais e temporais; estas ocorrem quando a criança consegue discriminar direita e esquerda, nomear seus segmentos corporais, orientar-se corretamente, em cima, em baixo, em frente, atrás,hoje, ontem, de manhã, de noite, etc.

Atividade para compreensão perceptiva motora e temporal

Para esta atividade será solicitado que a(s) criança(s) caminhem como fazem normalmente.
Em seguida as crianças deverão caminhar ao som do pandeiro, diferenciando e seguindo o ritmo das batidas: batida rápida, caminhar rápido - batida lenta, caminhar lento.
Após, será solicitado que prestem atenção e sigam a mais um ritmo de batida (intermediário).
Assim deverão identificar e diferenciar os ritmos, rápido, normal e lento. Aos poucos a atividade irá tornando-se mais complexa, sendo introduzidas algumas variações, como: ao sinal do professor os alunos deverão dar um pulo, a outro sinal, mudar de direção, erguer as mãos quando o professor erguer uma mão ou então parar quando o professor apitar, etc.
As variações serão feitas de acordo com o desempenho e necessidade da(s) criança(s).

Atividade de ordenação temporal
Esta atividade será voltada a forma social de organização do tempo:
  • Antes- depois
  • Dia-noite
  • Hoje, amanhã, ontem
  • Dias da semana
Pode ser feita de maneira simples e será dividida em etapas.
  • Antes e depois - será solicitado à criança que levante da cadeira, vá até a lousa e depois até a porta.
    Em seguida será perguntado: o que você fez antes de ir à lousa? O que você fez depois de ir à lousa? O que estava fazendo antes de ir à lousa?
    Em seguida serão entregues figuras onde possam ser identificadas situações de antes e depois (jogo de sequência lógica), ou seja, a figura de alguém colocando ingredientes em uma bacia, mexendo a massa e tirando o bolo do forno. Então será perguntado: o que a pessoa do desenho fez antes de mexer a massa? O que fez depois de mexer a massa? O que fez antes de pegar o bolo do forno?
  • Dia e noite – utilizaremos a experiência da criança; ela deverá descrever como é o dia e como é à noite; o que vemos de dia, o que vemos de noite; o que fazemos de dia o que fazemos de noite.
  • Hoje, amanhã e ontem – Será também trabalhado com as experiências da criança; o que você comeu no café da manhã ontem? O que comeu hoje? O que você quer comer amanhã? Descreva a roupa que está usando hoje e a que gostaria de usar amanhã.
  • Dias da semana – Os dias da semana podem ser trabalhados diferenciando os dias que vão à escola e os que não vão, o dia que tem aula de Inglês, Educação Física e outros.
    Após, pode-se explicar o conceito do mês, ou seja, quatro semanas corresponde a um mês e após o conceito de ano.
    *É importante lembrar que o trabalho com dias, mês e ano, não podem ser feitos em uma sessão.
Jogo de sequência lógica
Atividade de organização e estruturação temporal

Esta atividade trabalha com noções importantes para o aprendizado da escrita e particularmente da leitura, além de favorecer o desenvolvimento da memória.
A estruturação temporal fornecerá as possibilidades de alfabetização.
A criança reproduzirá ritmos com as mãos.
O professor executa um determinado ritmo, seguindo algumas estruturas rítmicas, por exemplo, batendo a mão sobre a carteira, durante certo tempo, a criança apenas escuta, depois reproduz o ritmo executado pelo professor, batendo a mão sobre a carteira também. É importante variar o ritmo em lento, normal e rápido.
OBS: Fazer o exercício inicialmente com os olhos abertos e em seguida, de olhos fechados.

Transtornos psicomotores que podem ser observados em sala de aula:

Torpor motriz – imperfeição dos movimentos relacionados ao dia-a-dia. Caracterizam-se por gestos grosseiros, travados, movimentos involuntários ou impossibilidade de relaxar e deixar os músculos em repouso.

Dispraxia- desorganização do movimento e falta de adaptação dos gestos para a finalidade proposta, ou seja, a incapacidade de executar determinadas sequências gestuais ou a execução com extrema lentidão (vestir-se, abotoar a roupa, amarrar o cadarço dos sapatos, utilizar talher e outros).

Transtornos de lateralização - compromete a construção do corpo e o esquema da imagem corporal. Nestes casos a criança apresenta dificuldades na velocidade e eficácia dos movimentos.
-Criança ambidestra
-Canhoto contrariado
-Lateralidade cruzada

Disgrafia- escrita defeituosa que pode ser: problemas na forma e proporção das letras e problemas na organização espacial da letra. Será discutido mais a frente em transtornos da lectoescrita.
Instabilidade psicomotora – excessiva necessidade de movimentação, inquietação e instabilidade do corpo (síndrome hipercinética).

Inibição psicomotora – falta ou inibição de movimento; movimentos comprometidos e limitados.

Livro:Dificuldades de aprendizagem,detecção e estratégias de ajuda.
Autoras:Ana Maria Salgado (Psicóloga)
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

6 de abr de 2010

Transtornos da memória

A memória é uma função cognitiva essencial que permite fixar, guardar e recuperar diferentes tipos de informações. No processo da memória há quatro fases: fixação ou registro, armazenamento, evocação e reconhecimento das lembranças.

Fixação ou registro das lembranças - momento no qual é produzida a apreensão perceptiva do mundo dos objetos. A criança estabelece associações de acordo com sua vivência.
A dificuldade para fixar ou manter a atenção poderá prejudicar o processo de aprendizagem.

Armazenamento - durante esta fase é consolidado o percebido para conservar o anteriormente guardado e para, em algum momento, poder recuperá-lo. São estabelecidas relações entre a nova informação e a adquirida anteriormente.

Evocação - utilização das informações armazenadas. Pode ser voluntária ou involuntária.

Reconhecimento - uma vez evocada a lembrança, podemos identificá-la com a imagem que a originou e reconhecê-la como própria, como parte de nosso ser. A história subjetiva de cada um ocorre de maneira particular. A memória visual é básica para aprendizagem da leitura e escrita, quando esta memória é pobre, todas as modalidades de memória serão limitadas.

Atividades

Jogo da memória


Dominó da associaçãoAtividade com sequência de cores
Nesta atividade será trabalhada a atenção e memória e será feita em etapas.
Primeiro será colocado sobre a mesa um palito na cor amarela e retirado em seguida; a criança deverá procurar na caixa o palito da mesma cor e também colocá-lo sobre mesa. Após será colocado o mesmo palito amarelo e um vermelho; alguns segundos depois serão retirados e em seguida a criança deverá colocá-los novamente na mesa na ordem correta. Serão encaixados outros palitos um por vez e a criança deverá reproduzir a sequência.
A sequência pode chegar a 10 cores, ou mais, dependendo do caso e poderá haver repetição de cor.
Os jogos citados são ótimas ferramentas não só para serem utilizadas como forma de diagnosticar possíveis dificuldades relacionadas a memória, mas para serem utilizadas na intervenção psicopedagógica, onde fazendo um trabalho de repetição a criança estará desenvolvendo as estruturas cognitivas.
Atividade para memorização de palavras




Livro:Dificuldades de aprendizagem,detecção e estratégias de ajuda.
Autoras:Ana Maria Salgado (Psicóloga)
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

Transtornos da atenção

A atenção é uma condição básica para o funcionamento dos processos cognitivos, participa ativamente da conduta humana desde a entrada do estímulo até a resposta motora. É o processo pelo qual são usadas distintas estratégias, de forma ordenada, para captar informação do meio; está relacionada com a percepção e nos permite selecionar e hierarquizar os estímulos recebidos.
Desta forma a realidade vai sendo construída sobre a base das percepções e dos processos de atenção.

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE
É uma das mais conhecidas dificuldades de aprendizagem caracterizada por uma excessiva atividade motora, falta de atenção e impulsividade.
Aspectos a serem observados para a identificação da TDA-H:
  • Desatenção: não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido; frequentemente tem dificuldade para manter a atenção nas tarefas ou no desenvolvimento de atividades lúdicas; não parece escutar o que está sendo dito, não cumpre instruções; tem dificuldade em organizar tarefas ou atividades; evita ou desagradam-lhe as tarefas escolares ou domésticas; perde coisas necessárias para tarefas ou atividades escolares.
  • Hiperatividade ou grande atividade motora: Levanta-se na sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentada; corre ou escala em situações inadequadas; tem dificuldade para brincar ou conectar-se com tranquilidade em atividades recreativas; muitas vezes está em movimento ou costuma agir como se tivesse um motor; com frequência fala excessivamente.
  • Impulsividade: com frequência responde abruptamente a perguntas antes de escutá-las de forma completa; tem dificuldade para esperar em fila ou aguardar sua vez em jogos ou situações grupais; interrompe ou se intromete nas atividades dos outros.
Para que o diagnóstico seja feito é necessário levar em consideração os seguintes aspectos:

-O começo não deve ser posterior aos 6 (seis) anos de idade.
-Os sintomas devem ser apresentados em duas ou mais situações (escola, casa ou outras situações sociais).
-Não ocorre exclusivamente durante o curso de um transtorno de desenvolvimento difuso e profundo (PDD), esquizofrenia ou outros transtornos psicológicos e não está de acordo com um transtorno de humor, de ansiedade, dissociativo ou um transtorno de personalidade.
-Os sintomas devem ter a duração de 6 (seis) meses no mínimo.
-A perturbação provoca angustia significativa ou impedimento de seu funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
Estratégias de suporte em sala de aula:
  • Desatenção: sentar a criança em uma área silenciosa; sentá-la perto de outra criança que seja um bom modelo para seguir; sentá-la próxima a alguém que possa apoiá-la em sua aprendizagem; orientar a atenção da criança para a tarefa que será iniciada, ajudando-a a descobrir, selecionar, organizar e sistematizar a informação mais importante; é necessário dar regras consistentes sobre o que deve fazer, as instruções devem ser parceladas; as rotinas de trabalho devem ser claras; devem ser evitadas mudanças imprevistas; não é conveniente fazer atividades com limite de tempo; encurtar período de trabalho de modo a coincidirem com seus períodos de atenção; dividir trabalhos em partes menores de modo que ela possa concluí-los; dar instruções tanto orais como escritas; dar instruções claras e concisas; tentar envolver a criança na apresentação do tema; é importante que o ambiente de trabalho seja motivante e estimulante, com tarefas significantes para a criança.
  • Hiperatividade ou grande atividade motora: oferecer à criança oportunidade de movimento( por exemplo, entregar um recado, auxiliar a professora em sala de aula); incrementar a imediata correlação entre prêmios e consequências; permitir descansos curtos entre os diferentes trabalhos em sala; supervisão no recreio e horários livres, aconselhá-la a revisar e checar seus trabalhos e provas para poder corrigir os erros cometidos por realizar o trabalho de forma apressada e descuidada; permitir que se levante de vez em quando enquanto trabalham.
  • Impulsividade: tentar ignorar comportamentos inapropriados; incrementar imediata correlação entre prêmios e consequências, recomendar que dê um tempo para meditar sobre o que fez quando não se comportar adequadamente; supervisão no recreio e horários livres; chamar atenção de forma prudente e calma; reforçar comportamento positivo com cumprimentos e reconhecimento; sentar a criança próxima a professora ou de algum colega que possa ser visto como líder positivo; firmar contrato de comportamento positivo; motivar quando conseguir inibir um impulso inadequado (como levantar a mão para falar em vez de interromper a professora).


                            

Livro:Dificuldades de aprendizagem,detecção e estratégias de ajuda.
Autoras:Ana Maria Salgado (Psicóloga)
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

Transtornos da linguagem

Os transtornos da linguagem são alterações que têm maior incidência na área expressiva. São caracterizados por déficits na compreensão ou produção, não ocorrem por estimulação lingüística pobre, perda auditiva, atraso mental, déficit motor ou doença neurológica.
O processo de aquisição da linguagem está alterado desde estágios precoces de desenvolvimento.

ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM COM MAIOR INCIDÊNCIA NA ÁREA EXPRESSIVA

Transtorno fonéticoAfetam a produção da linguagem. A dificuldade está localizada na área motora, articulatória; são chamados dislalias de desenvolvimento e tendem a desaparecer com o desenvolvimento, sem a necessidade de uma intervenção terapêutica. Se persistirem passam a ser considerados transtornos fonéticos. Podem ser devido a um déficit cognitivo, sensorial ou sócio-cultural, ou a um transtorno emocional.

Transtorno fonológicoRefere-se à dificuldade de fala nas crianças; afeta a discriminação auditiva perturbando os mecanismos de conceitualização dos sons e a relação entre significante e significado.
Apesar de o prognóstico ser positivo, é importante um programa de terapia da linguagem por volta dos 5 anos para evitar dificuldades posteriores na aquisição da lectoescrita.

DisglosiaÉ também chamada dislalia orgânica e caracteriza-se por alterações na articulação dos fonemas, devido a problemas congênitos ou adquiridos dos órgãos envolvidos na fala como a língua, os lábios, os dentes, a mandíbula e o palato.

Com origem labial - as encontradas com maior frequência são: lábio leporino, freio labial e paralisia facial e caracterizam-se pelas seguintes dificuldades de articulação: Nas consoantes P -B-M - Nas vogais O - U
Com origem dental – anomalia na forma e posição dos dentes; caracterizam-se pelas seguintes dificuldades de articulação: Dificuldade na pronúncia do - S
Com origem mandibular – alteração na forma de um ou dos dois maxilares produz transtornos na articulação.
Com origem lingual – freio lingual, paralisia da língua e malformações linguais referidas ao tamanho da língua; caracterizam-se pelas seguintes dificuldades de articulação: Dificuldade na articulação com R – LDificuldade com todas as consoantes (paralisia bilateral)
Com origem palatina – alterações orgânicas do palato ósseo e do palato mole; caracterizam-se pelas seguintes dificuldades: Substituição de S - J - Z - F - R por rouquidão faríngea. Alteração de todos os fonemas, exceto os nasais no sopro nasal. Alteração de T - D - L

DisartriaAbrande as dificuldades que se apresentam no ato motor da emissão oral. A causa encontra-se numa alteração no controle muscular dos mecanismos associados à fala. Normalmente é devido a uma lesão no sistema nervoso central.
Características: movimentos orais afetados, voz forçada, dificuldade na coordenação respiratória, presença de espasmos de glote, movimentos involuntários na língua e nos lábios dentre outros.

Dispraxia verbalAlteração grave da articulação que consiste numa impossibilidade de executar movimentos complexos; esta dificuldade não se deve a transtornos motores.
Características: alteração na gesticulação e na mímica voluntária, fluidez verbal escassa, alterações na organização dos fonemas, sílabas e palavras.

TaquifemiaForma desordenada e rápida de falar. O nível estrutural da linguagem não costuma ser afetado.
Características: tendência a falar muito rapidamente, omissão de sons e palavras completas dentro de uma frase, repetição de sílabas e palavras de forma inconsciente.

DisfemiaAlteração no ritmo da fala que se manifesta com interrupções na fluidez da palavra; também conhecida como gagueira.
DisfoniaAlteração da voz tanto na sua intensidade como no tom e timbre.
Características: incomodo ao engolir ou mastigar, rouquidão persistente, voz de resfriado com emissão incorreta de M - N, tendência a respiração bucal, fadiga ao falar.

ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM QUE AFETAM A EXPRESSÃO E A COMPREENSÃO
 
Atraso da linguagemA linguagem surge mais tarde que o habitual e progride mais lentamente. A fala lembra a de uma criança menor. Não se sabe com certeza qual sua origem; normalmente é facilmente detectada na escola.
Características: ausência do jargão espontâneo entre o primeiro e segundo ano de idade, surgimento das primeiras palavras depois dos dois anos, surgimento das primeiras combinações de palavras depois dos três anos, vocabulário pobre, estruturas de frases excessivamente simples depois dos quatro anos.
 
DisfasiaTambém conhecida como atraso severo de linguagem; afeta significativamente a expressão; a compreensão é diminuída em menor grau.
Características: surgimento das primeiras palavras depois dos três anos, surgimento das primeiras combinações de palavras depois dos quatro anos, expressão oral esquemática e simples depois dos seis anos, dificuldades sérias no nível morfossintático e no semântico (dificuldade para conjugar verbos, na concordância de gênero-número, produção de enunciados longos, porém sem nexo de união nem flexão verbal), dificuldade de evocação, permanência de ecolalia antes de responder.
Afasia infantil congênitaÉ a mais grave patologia dentro dos transtornos na aquisição da linguagem. Apesar de ter a audição conservada a criança não pode processar a informação que lhe é apresentada pelo canal auditivo; no entanto se esta mesma informação lhe for apresentada visualmente, pode chegar a entendê-la.
Características: surgimento da linguagem aos cinco ou seis anos, expressão oral limitada a palavras únicas ou frases curtas, possibilidade de ausência da linguagem, no caso de haver linguagem, a articulação está alterada.
O diagnóstico é difícil e normalmente é feito descartando outras dificuldades.

Livro:Dificuldades de aprendizagem, detecção e estratégias de ajuda
Autoras: Ana Maria Salgado (Psicóloga )
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

Transtorno na aprendizagem da lectoescrita

Aprender a ler e escrever proporciona liberdade à criança, pois é por meio da leitura que ela descobre um mundo novo e por meio da escrita pode transmitir idéias e sentimentos, pôr em palavras suas emoções e comunicá-las quando desejar.
 
Habilidades necessárias para a leitura
Para que o processo de aprendizagem da leitura ocorra de forma adequada é necessário que haja maturidade adequada das bases neurofuncionais, uma vez que esta aprendizagem não envolve somente uma simples associação de neurônios, mas também a integração das diferentes destrezas que o cérebro utiliza para processar a informação dada pelos grafemas e fonemas que são percebidos pela visão e pela audição. Os dois hemisférios cerebrais intervêm neste processo.
O hemisfério direito ajuda a reconhecer a palavra como um todo, recolhe os dados sensoriais e forma imagens; não é regido pela lógica. As imagens mentais têm grande conteúdo afetivo.
Este hemisfério cria esquemas novos sem a necessidade de relacionar com os anteriores, faz a função de sintetizar, não de analisar.
O hemisfério esquerdo processa os dados simbólicos, compara os dados novos com os pré-existentes, trabalha analiticamente, é regido pela lógica.
Conforme as ações se automatizam, há maior intervenção do hemisfério esquerdo na velocidade e qualidade do processamento, enquanto o direito continua processando a nova informação que entra e utiliza os aspectos criativos necessários para a atividade. A aprendizagem da lectoescrita é muito complexa pela variedade de processos psicocognitivos envolvidos. Podemos dividi-los em três fases.
Fase logográfica: refere-se ao reconhecimento de palavras a partir de sua forma.
Fase alfabética: a criança estabelece relação de grafemas com os respectivos fonemas.
Fase ortográfica: a criança pode reconhecer a palavra sem que precise realizar uma análise fonológica.

Habilidades necessárias para a escrita
Para aprender a escrever, o gesto deve submeter-se à lei da escrita, perder sua espontaneidade e adaptar-se a uma convenção humana.
Assim como a leitura, a escrita faz parte do processo de ensino na escola. No entanto, antes disto a criança já começou a comunicar-se no papel por meio dos rabiscos ou sinais aos quais atribui um significado.
Para Ajuriaguerra “é a soma da praxia e linguagem e unicamente pode acontecer a partir de certo grau de organização da psicomotricidade que envolve uma fina coordenação de movimentos e um desenvolvimento espacial”.

Evolução do grafismo
Por volta dos 18 meses são detectados os primeiros grafismos da criança, denominados de garatujas e trata-se de um jogo motor.
Por volta dos 20 meses detectam-se movimentos de vaivém pois já começa a existir a independência do cotovelo.
Por volta dos 2 anos e meio observa-se que a criança já possui maior controle do punho e do movimento de pinça; isto já permite a realização de movimentos independentes.
Por volta dos 4 anos a criança já anuncia o que vai desenhar e planeja. Surge a figura humana em forma de girino.
Por volta dos 7 anos é o momento máximo do desenvolvimento do desenho como jogo.
Por volta dos 8 anos o desenho da figura humana revela assimilação completa do esquema corporal, aparecendo detalhes como o pescoço.
Por volta dos 10 anos já aparece perspectiva.


O desenvolvimento da habilidade manual, por meio do exercício, permitirá que os movimentos sejam organizados e tornem-se automáticos. O domínio da mão sobre o instrumento, neste caso o lápis, envolve:
  • Ajuste tônico do braço e uma adequada pressão sobre o instrumento.
  • Preensão digital localizada e continuada do instrumento de escrita.
  • Ajuste óculo-manual e visodigital sobre o movimento realizado.
O fato de a mão estar desenvolvida para a escrita não é suficiente para que a criança comece a escrever; pois escrever envolve o desenvolvimento de um novo código de comunicação, para o qual deve ser desenvolvida a especificidade de certas áreas neuropsicológicas. É necessário que a criança compreenda as convenções sociais da escrita.
 
  • A direção da escrita: da esquerda para a direta/de cima para baixo
  • Localização correta das letras pela sua orientação espacial: d b
  • Reconhecimento de um espaço limitado e reduzido (folha de papel)
  • Concentração na tarefa por tempo prolongado, com postura adequada.
  • Letra legível.
  • Aceitação de que a linguagem escrita segue regras convencionais. Assim, é estabelecida uma diferença fundamental com a linguagem oral, já que esta não tem o mesmo sistema ortográfico.
Agora que já sabemos como se dá a aquisição da leitura e da escrita, fica claro que qualquer problema que ocorra durante este processo pode resultar em dificuldade de aprendizagem. As mais conhecidas nesta linha são: dislexia, disgrafia e disortografia.

Dislexia

É um dos termos mais utilizados dentro das dificuldades de aprendizagem. Ocorre quando a criança encontra dificuldades na aprendizagem da leitura apesar de ter desenvolvimento intelectual adequado para esse processo.
Podemos dizer que não existe uma criança disléxica, pois cada criança que apresenta dislexia é um caso único. Devido ao que foi mencionado anteriormente sobre a complexidade do processo, se existe uma disfunção numa área cerebral e suas respectivas conexões com áreas corticais, os sinais que aparecerão terão traços particulares.

Devido à complexidade do assunto e ao grande número de dúvidas este tema será abordado mais a frente com maiores detalhes e esclarecimentos.
Acompanhe postagem de 10/07/10

Disgrafia
 
É um transtorno psicomotor que costuma surgir como parte da síndrome dispráxica ou dentro do quadro da debilidade motora.
Será disgráfica toda criança cuja escrita seja defeituosa, quando não tem algum déficit neurológico ou intelectual importante que os justifique.
Existem diferentes tipos de disgrafia:
 
Disgrafia postural: as dificuldades na escrita se originam da má postura ao escrever; apoiar-se sobre a mesa, agarrar-se a cadeira, folha virada, etc.
Disgrafia de preensão: a criança pega o lápis com o polegar e os três ou quatro últimos dedos. O polegar está em cima do indicador, dificultando a escrita.
Disgrafia de pressão: letras “asas de mosca” com traços muito fracos; letras “amassafolha” com pressão excessiva no traço ao escrever e letra parkinsoniana, pequena e trêmula.
Disgrafia de direcionalidade: descendente; ascendente; serpenteante.
Disgrafia de giro: as letras que necessitam de traços circulares na sua execução como a, o, d, g, f, e q são feitas com giros invertidos, ou seja, no sentido horário, dificultando o traçado da letra e sua ligação com a letra seguinte.
Disgrafia de ligação: falta de ligação entre as letras na escrita cursiva; ligação simbiótica, ou seja, escrita das letras coladas entre si, sem as linhas de união definidas; ligação elástica na qual as letras são separadas e unidas obrigatoriamente com linhas que parecem sobrecarregadas.
Disgrafia figurativa: mutilação de letras e distorções de letras.
Disgrafia posicional: verticalmente caída para trás; letras em espelho; confusão de letras simétricas como: b e d.
Disgrafia relacionada com o tamanho: macrografia e micrografia.
Disgrafia espacial: interalinhado irregular; texto margeado à esquerda.

Disortografia
A disortografia pode ser definida como o conjunto de erros da escrita que afetam a palavra, mas não o seu traçado ou grafia. A disortografia é a incapacidade de estruturar gramaticalmente a linguagem, podendo manifestar-se no desconhecimento ou negligência das regras gramaticais, confusão nos artículos e pequenas palavras, e em formas mais banais na troca de plurais, falta de acentos ou erros de ortografia em palavras correntes ou na correspondência incorreta entre o som e o símbolo escrito, (omissões, adições, substituições, etc.).

Características
  • Troca de letras que se parecem sonoramente: faca / vaca, chinelo / jinelo, porta / borta.
  • Confusão de sílabas como: encontraram / encontrarão.
  • Adições: ventitilador.
  • Omissões: cadeira / cadera, prato / pato.
  • Fragmentações: en saiar, a noitecer.
  • Inversões: pipoca / picoca.
  • Junções: No diaseguinte, sairei maistarde.
  • Omissão - adição de “h“.
  • Escrita de “n“ em vez de “m“ antes de “p“ ou “b“.
  • Substituição de “r“ por “rr“.
Orientações: Estimular a memória visual através de quadros com letras do alfabeto, números, famílias silábicas. Não exigir que a criança escreva vinte vezes a palavra, pois isso de nada irá adiantar. Não reprimir a criança e sim auxiliá-la positivamente
 



 

Fonte: www.appdae.net/disortografia.html

Livro:Dificuldades de aprendizagem, detecção e estratégias de ajuda
Autoras: Ana Maria Salgado (Psicóloga )
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

5 de abr de 2010

Algumas sugestões de atividades para sala e intervenção

Durante o processo de aprendizagem da escrita é imprescindível que o professor faça uma sondagem para conhecer o nível de escrita em que o aluno se encontra e para acompanhar seu progresso.
A sondagem não somente é utilizada em sala de aula, mas também no consultório, pois auxilia no diagnóstico das dificuldades da lectoescrita.
Segue abaixo a tabela de sondagem e algumas orientações.


Como utilizar a tabela
Cada nível corresponde a uma cor, assim temos:
1-Nível pré-silábico em vermelho
2-Nível silábico sem valor sonoro em verde3-Nível silábico com valor sonoro em azul
4-Nível silábico-alfabético em roxo
5-Nível alfabético em laranja

A sondagem inicial é a primeira, depois temos uma sondagem no final de cada bimestre (para utilizar no consultório podem ser feitas algumas alterações).
Caso o aluno, na primeira sondagem, esteja no nível pré-silábico, então será preenchido o número 1 na cor vermelha, no local da sondagem inicial. Caso este ou outro aluno esteja no nível silábico com valor sonoro, no 1º bimestre, será preenchido o número 3 na cor azul. E assim por diante.
Ao verificar que a tabela apresenta muitas cores vermelhas fica claro que o professor deverá intervir e fazer um trabalho de recuperação contínua para os alunos que apresentam maiores dificuldades.
Dicas para fazer sondagem
  • A sondagem deve ser realizada de forma individual ou em pequenos grupos.
  • As palavras NÃO podem ser ditadas de forma silabada (me-ni-no); a pronúncia deve ser feita de forma normal.
  • Após ditar a palavra, deve-se tomar a leitura. Não é correto ditar toda a lista e no final tomar a leitura.
  • Evitar palavras com sílabas ou vogais contíguas: exemplo – ba-na-na, a-ba-ca-te.
  • A leitura do aluno precisa ser pautada na sílaba; ele precisa identificar a pauta sonora, onde começa e onda termina a sílaba.
  • Somente o aluno pré-silábico realiza a leitura global, pois ainda não consegue identificar a pauta sonora da palavra.
  • Após ditar as palavras é importante ditar uma frase significativa.
  • Começar o ditado com palavras polissílabas, trissílabas, dissílabas e monossílabas.
  • Outra dica interessante é que o ditado tenha um tema, conforme os próximos exemplos.
    Ditado
    Tema: frutas
    Melancia
    Pêssego
    Figo
    Noz
    Carolina comeu doce de pêssego.

    Ditado
    Tema: material escolar
    Apontador
    Caneta
    Lápis
    Giz
    Ganhei uma caneta azul.

    Ditado
    Tema: animais
    Hipopótamo
    Galinha
    Pato

    O pato está na lagoa.
Atividades para escrita e desenvolvimento cognitivo.


Fonte: Livro - Português -primeiros passos – alfabetização
Autoras: Adelina da Silva Braga
Inês Silva Dias dos Santos e Ivete Raffa
Livro: Aprender a compreender
Autoras: Carmen Silva Micheletti
Estela Marques
Quézia Bombonatto Silva
Thais H. F. Pellicciotti

Dificuldades na aprendizagem da matemática

Áreas de dificuldade que podem interferir no desempenho em matemática

Habilidades espaciais: as dificuldades em relações espaciais, distâncias, relações de tamanho e para formar sequências podem interferir em habilidades como: medir, estimar, resolver problemas e desenvolver conceitos geométricos.
Perseverança: são dificuldades para passar mentalmente de uma tarefa para outra,ou seja, atividade com vários passos para resolução.
Linguagem: são dificuldades para compreender termos como: primeiro, último, seguinte, maior que, menor que e outros.
Raciocínio abstrato: dificuldade na compreensão de conceitos abstratos, sendo necessária a utilização de material concreto para resolução.
Memória: dificuldade em relembrar informações que foram apresentadas.
Processo perceptivo: as dificuldades na área perceptiva acarretam problemas na leitura e escrita de quantidades, na realização de operações e em alguns casos na resolução de problemas.

Noções necessárias para a aprendizagem da matemática

Correspondência: agrupar um objeto com outro (um lápis para cada aluno).
Classificação: agrupar os objetos em categorias de acordo com alguns critérios (cor, tamanho, formato).
Seriação: ordenar objetos de acordo com o tamanho (do menor para o maior) ou de acordo com o peso (mais pesado para o menos pesado).
Conservação: operação mental necessária para a construção do raciocínio lógico. Constituição de objeto permanente (a bola existe mesmo quando sai do campo de visão do bebê).
Reversibilidade: capacidade de fazer, desfazer e fazer novamente.
Proporcionalidade: compreensão das noções lógico-matemáticas, das frações e probabilidades.
Numeração: compreensão do sentido do número como sendo mais do que uma simples palavra, pois se refere a um todo, composto por unidades incluídas nele e guardando a relação de ordem com o restante dos números.
Valor posicional: unidade, dezena, centena, etc.
Compreender operações: é importante não somente saber as respostas das operações, mas compreendê-las de fato.
Resolução de problemas: é necessária a compreensão do texto, ordenar partes do problema e a compreensão lógica do enunciado e das competências do raciocínio abstrato que são utilizados para resolvê-lo.
Discalculia







ATIVIDADES
Estas atividades podem ser feitas com material concreto, onde a criança deverá apalpá-lo e distribuí-lo e em alguns casos pode ser utilizado em folha de atividade.

Este material pode ser: blocos lógicos; cartazes com figuras, sempre do tamanho adequado para ser trabalhado com a criança de acordo com sua faixa etária, objetos de uso diário como lápis de cor, tesoura, borracha, objetos que as crianças trazem de casa, elástico, prendedores de cabelo, carrinhos e outros.

Exercício de correspondência

Um para um/ material - blocos lógicos: fazer uma fileira de objetos iguais como quadrados e solicitar que a criança coloque um (1) círculo para cada quadrado.
Outra atividade que pode ser utilizada é colocar figuras de meninas (desenhos que podem ser facilmente encontrados na internet, impressos e plastificados para maior durabilidade) e solicitar que a criança distribua uma (1) flor (também figuras) para cada menina.
Conforme o desenvolvimento da habilidade da criança, a atividade pode se tornar mais complexa.
Utilize figura de 5 crianças e solicite à criança que distribua 10 balas entre elas.
Depois este trabalho pode ser feito com sobra.
Tem 5 crianças e 12 balas. Distribua entre elas. Sobra alguma? Quantas?
Em sala de aula o(a) professor(a) poderá facilmente utilizar este tipo de atividade.

Temos 5 crianças, quantos lápis vamos precisar?
Temos 3 tesouras para 5 crianças. Quantas faltarão?
Temos 20 alunos. Quantas folhas vão precisar?
E assim por diante, solicitando sempre que um ajudante entregue o material, fazendo revezamento entre os ajudantes.

Em casa não é diferente

Peça o auxilio da criança em algumas tarefas. Por exemplo: Solicite que a criança prepare a mesa para o almoço. São 4 pessoas que irão almoçar, quantos pratos precisaremos? Depois peça que coloque 1 (um) guardanapo para cada prato e depois os copos.


Outra atividade interessante é o agrupamento:
Faça fichas com números impressos e separe alguns blocos lógicos ou materiais diversos. Por exemplo:
5 quadrados
3 triângulos
2 círculos
7 retângulos

Solicite à criança que conte e coloque a ficha com o número correto ao lado de cada grupo.
Depois utilize o fator inverso. Coloque sobre a mesa algumas fichas com números e solicite à criança que coloque a quantidade correta de objetos.
Aproveite para observar se ela mistura os objetos no mesmo grupo ou se classifica como foi feito anteriormente (grupo de triângulo, círculos, etc).

Este material pode ser comprado pronto. São retângulos de madeira onde em uma extremidade há o número e na outra, que deverá ser encaixada, há o grupo de figuras.






OBS: A atividade acima pode ser usada, também, para treino dos numerais.

Exercícios de classificação

Entregar à criança vários objetos, com cores, formas e tamanhos variados e solicitar que separe em grupos, ou seja, classifique, mas não é necessário utilizar este termo, a não ser que a criança já tenha condições de entendê-lo.
Depois pergunte como ela separou e por que.
Em seguida peça à criança que pense em outra forma de separar (classificar), por exemplo: tamanho, textura e outros.

Em sala de aula pode ser feito o mesmo exercício em grupo, pedindo que cada grupo separe os objetos e os outros grupos deverão descobrir que propriedades dos objetos levaram em consideração para classificá-los.
Para crianças maiores pode utilizar cartões com alimentos, carros, animais, plantas e outros.

Exercícios de seriação.

Entregar á criança objeto de diferentes comprimentos e pedir que os coloque em ordem a partir do mais curto até o mais longo.
Podem ser utilizados copos de vários tamanhos, palitos, lápis e outros.

Uma ideia legal é pedir que a criança faça bolas de diversos tamanhos com massinha e organize da maior para a menor.

Em sala os alunos podem se organizar em fila por ordem de tamanho, do maior para o menor e do menor para o maior.

Valor posicional

Em sala de aula é comum utilizar o quadro de valor onde os alunos preenchem o campo unidade, dezena, centena etc, como podemos conferir abaixo.

Este tipo de atividade também pode ser utilizada, mas se for foi trabalhada de forma concreta antes, não terá resultado.

Existem alguns materiais bem interessantes que podem ser utilizado como: o ábaco e o material dourado.

Material dourado
O Material Dourado é um dos muitos materiais idealizados pela médica e educadora italiana Maria Montessori para o trabalho com matemática.
Embora especialmente elaborado para o trabalho com aritmética, a idealização deste material seguiu os mesmos princípios montessorianos para a criação de qualquer um dos seus materiais, a educação sensorial:
- desenvolver na criança a independência, confiança em si mesma, a concentração, a coordenação e a ordem;
- gerar e desenvolver experiências concretas estruturadas para conduzir, gradualmente, a abstrações cada vez maiores;
- fazer a criança, por ela mesma, perceber os possíveis erros que comete ao realizar uma determinada ação com o material;
- trabalhar com os sentidos da criança.

O material é composto por:
1 cubinho representa 1 unidade;
1 barra equivale a 10 cubinhos equivalem (1 dezena ou 10 unidades);
1 placa equivale a 10 barras ou 100 cubinhos (1 centena, 10 dezenas ou 100 unidades);
1 cubo equivale a 10 placas 1000 ou 100 barras ou 1000 cubinhos (1 unidade de milhar,10 centenas, 100 dezenas ou 1000 unidades).

Atividades

Explorando o Material Dourado

Objetivos:
- perceber as relações que existem entre as peças do material dourado;
- através das trocas, compreender que no Sistema de Numeração Decimal, 1 unidade da ordem imediatamente posterior corresponde a 10 unidades da ordem imediatamente anterior.
Metodologia:
Após permitir que os alunos, em grupos, brinquem livremente com o material dourado, o professor poderá sugerir as seguintes montagens:
- uma barra feita de cubinhos;
- uma placa feita de barras;
- uma placa feita de cubinhos;
- um bloco feito de barras;
- um bloco feito de placas.
O professor poderá estimular os alunos a chegarem a algumas conclusões perguntando, por exemplo:
- Quantos cubinhos eu preciso para formar uma barra?
- Quantas barras eu preciso para formar uma placa?
- Quantos cubinhos eu preciso para formar uma placa?
- Quantas barras eu preciso para formar um bloco?
- Quantas placas eu preciso para formar um bloco?
Nessa atividade, o professor também pode explorar conceitos geométricos, propondo desafios, como por exemplo:
- Quantos cubinhos você precisaria para montar um novo cubo?
- Que sólidos geométricos eu posso montar com 9 cubinhos?

Vamos fazer um trem?

Objetivo
- compreender os conceitos de sucessor e antecessor.
Metodologia
O professor pode pedir que os alunos façam um trem. O primeiro vagão do trem será formado por 1 cubinho, e os vagões seguintes por um cubinho a mais que o anterior. O último vagão será formado por 1 barra.
Quando as crianças terminarem de montar o trem o professor pode incentivá-las a desenhar o trem e registrar o código de cada vagão.
É importante que o professor considere as várias possibilidades de construção do trem e de registro encontradas pelos alunos.

Ábaco



O ábaco pode ser considerado como uma extensão do ato natural de contar nos dedos. Emprega um processo de cálculo com sistema decimal, atribuindo a cada haste um múltiplo de dez. Ele é utilizado ainda hoje para ensinar às crianças as operações de somar e subtrair.

Atividade
No caso do atendimento clínico é interessante que a psicopedagoga jogue junto, cada um com um ábaco; em sala de aula podem ser formados grupos.
O jogador deverá pegar os dois dados e jogá-los, conferindo o valor obtido. Este valor deverá ser representado no ábaco. Para representá-lo deverão ser colocadas argolas correspondentes ao valor obtido no primeiro pino da direita para a esquerda (que representa as unidades). Após deverá jogar os dados novamente.Quando forem acumuladas 10 argolas (pontos) no pino da unidade, o jogador deve retirar estas 10 argolas e trocá-las por 1 argola que será colocada no pino seguinte, representando 10 unidades ou 1 dezena. Nas rodadas seguintes, o jogador continua marcando os pontos, colocando argolas no primeiro pino da esquerda para a direita (casa das unidades), até que sejam acumuladas 10 argolas que devem ser trocadas por uma argola que será colocada no pino imediatamente posterior, o pino das dezenas.Vencerá quem colocar a primeira peça no terceiro pino, que representa as centenas.Com esta atividade inicial, é possível chamar a atenção para o fato do agrupamento dos valores, e que a mesma peça tem valor diferente de acordo com o pino que estiver ocupando.Possivelmente seja necessário realizar esta atividade mais de uma vez. É importante que os alunos possam registrá-la em seus cadernos, observando as estratégias e os pontos obtidos por cada um dos jogadores.

Escala Cuisenaire
Este é um material utilizado para a aprendizagem e treino das operações matemáticas, desde as mais simples até as mais complexas.O material Cuisenaire é constituído por uma série de barras de madeira, sem divisão em unidades e com tamanhos variando de uma até dez unidades. Cada tamanho corresponde a uma cor específica.

Atividades
Construindo um muro: Objetivo - Introduzir a operação de adição e a comutatividade. O professor pode apresentar uma barra e pedir que os alunos construam o resto do muro, usando sempre duas barras que juntas tenham o mesmo comprimento da peça inicial. As adições cujo total é dez ou maior que dez, assim como as adições com três ou mais parcelas podem ser introduzidas com essa atividade.

Construindo um muro especial: Objetivo-introduzir o conceito de multiplicação, enquanto soma de parcelas iguais. O professor pode pedir aos alunos que formem muros usando, por exemplo:

2 tijolos pretos
4 tijolos vermelhos
5 tijolos roxos

Após a realização das atividades concretamente, professor pode pedir que os alunos registrem como fizeram a construção do muro e discutir com seus alunos as formas de registro.


Adição1) Que peças eu posso juntar para formar a peça preta? Faça todas as combinações possíveis com duas peças, depois com três, depois...
Por exemplo:
(Uma verde clara com uma lilás)
2) Escreva uma sentença numérica para cada solução do item (1).
Por exemplo: (4 + 3 = 7)
3) Use apenas duas peças para “formar” a peça marrom. Encontre todas as soluções possíveis e escreva uma sentença matemática para cada solução.
4) Acabamos de criar a família da peça marrom. Crie a família para cada peça que seja maior ou igual a vermelha.
5) É possível criar a família do 11? Como seria?
6) Forme as famílias do 12, 13,... até o 20.

Multiplicação1) Duas peças vermelhas são do tamanho de que peça? Que relação tem este fato com a sentença: 2x2 = 4?
2) Três peças vermelhas são do tamanho de que peça? Que relação tem este fato com a sentença: 3x2 = 6?
3) Quatro peças vermelhas são do tamanho de que peças? E cinco?
4) Quanto dá 6x2? Que peças você usou?
5) Determine todos os produtos que podemos obter com as peças. Não deixe de registrá-los.
6) Quatro peças verdes claros são iguais a quantas peças lilás?

Tangram

Tangram é um quebra-cabeça originário da China e seu autor é desconhecido.
É formado por 05 triângulos, 01 paralelogramo e 01 quadrado (que juntos formam um novo quadrado).
Esse jogo é utilizado nas escolas para atrair o interesse das crianças pela Geometria e pela Matemática.
O quebra-cabeça consiste num primeiro momento, em permitir à criança a construção de formas geométricas, figuras humanas ou de animais, fazendo uso de todas as peças.
Num estágio mais avançado, pode ser utilizado em exercícios de cálculo da área de figuras; capacitar os alunos à definição de ângulos com o uso do transferidor, ou propor cálculo de perímetros e outros problemas matemáticos.
O Tangram pode ser feito a partir de madeira, cartolina, materiais plásticos, papel cartão ou E.V.A.


Artigo: A matemática e a experiência concreta
Autora: Cristiane Carminati Maricato
Livro:Dificuldades de aprendizagem,detecção e estratégias de ajuda.
Autoras:Ana Maria Salgado (Psicóloga)
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)
http://educar.sc.usp.br/matematica/m2l2.htm