Boas vindas

Sejam bem vindos!

Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e no Atendimento Educacional Especializado (sala de Recursos Multifuncionais).


22 de mai de 2017

I NeuroMeeting NeuroSaber

Sábado, dia 21/05/20171, tive o privilégio de participar do I encontro NeuroMeeting da NeuroSaber.
Foram oferecidas palestras de altíssima qualidade, com profissionais que trabalham com muita seriedade e dedicação, dentre eles: Dr Capovilla, Dr Clay Brites, Dra Maria Irene Maluf, Dr Iuri Capelatto  e muito mais.
Para quem não conhece, a NeuroSaber, iniciativa do casal Dr. Clay Brites e Luciana Brites, oferece cursos de ótima qualidade com temas voltados para Deficiências, TEA e Transtornos ou Dificuldades de Aprendizagem.
Para maiores informações acessem: www.neurosaber.com.br

É impossível realizar um trabalho sério e de qualidade, sem procurar constante atualização; por isso, aconselho aqueles que buscam a formação na área de Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia, Psicomotricidade e áreas afins, a voltar seus esforços para o estudo aprofundado, pois somos os responsáveis pela construção do conhecimento de muitas crianças.
Nosso trabalho é de grande responsabilidade!





Durante as palestras, foram feitos alguns mapas mentais.
Vejam que interessante!






Grande iniciativa! Parabéns a essa equipe maravilhosa!

9 de mai de 2017

O que é o Atendimento Educacional Especializado?



Anteriormente fiz algumas postagens sobre meu trabalho enquanto professora do AEE e muitas perguntas surgiram a esse respeito.O que é o AEE?

Bom, primeiramente é impossível falar de inclusão sem falar do Atendimento Educacional Especializado ou Sala de Recursos Multifuncionais; mas para compreender melhor é preciso conhecer o Decreto 7611.


DECRETO Nº 7.611, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2011 - Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências.


A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição,e tendo em vista o disposto no art. 208, inciso III, da Constituição,arts. 58 a 60 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, art. 9º , §2º, da Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, art. 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, aprovados por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008, com  status  de emenda constitucional, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009, 
D E C R E TA :

Art. 1º O dever do Estado com a educação das pessoas público-alvo da educação especial será efetivado de acordo com as seguintes diretrizes:

I - garantia de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades;
II - aprendizado ao longo de toda a vida;
III - não exclusão do sistema educacional geral sob alegação de deficiência;
IV - garantia de ensino fundamental gratuito e compulsório,asseguradas adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais;
V - oferta de apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;
VI - adoção de medidas de apoio individualizadas e efetivas,em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social,de acordo com a meta de inclusão plena;
VII - oferta de educação especial preferencialmente na rede regular de ensino; e
VIII - apoio técnico e financeiro pelo Poder Público às instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial.
§ 1º Para fins deste Decreto, considera-se público-alvo da educação especial as pessoas com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades ou super dotação.
§ 2º No caso dos estudantes surdos e com deficiência auditiva serão observadas as diretrizes e princípios dispostos no Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005.

Art. 2º A educação especial deve garantir os serviços de apoio especializado voltado a eliminar as barreiras que possam obstruir o processo de escolarização de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
§ 1º Para fins deste Decreto, os serviços de que trata o caput serão denominados atendimento educacional especializado, compreendido como o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente, prestado das seguintes formas:
I - complementar à formação dos estudantes com deficiência,transtornos globais do desenvolvimento, como apoio permanente e limitado no tempo e na frequência dos estudantes às salas de recursos multifuncionais; ou
II - suplementar à formação de estudantes com altas habilidades ou superdotação.
§ 2º O atendimento educacional especializado deve integrar a proposta pedagógica da escola, envolver a participação da família para garantir pleno acesso e participação dos estudantes, atender às necessidades específicas das pessoas público-alvo da educação especial,e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas.

Art. 3º São objetivos do atendimento educacional especializado:
I - prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados de acordo com as necessidades individuais dos estudantes;
II - garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular;
III - fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e
IV - assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino.

Art. 4º O Poder Público estimulará o acesso ao atendimento educacional especializado de forma complementar ou suplementar ao ensino regular, assegurando a dupla matrícula nos termos do art. 9º -A do Decreto nº 6.253, de 13 de novembro de 2007.

Art. 5º A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, Municípios e Distrito Federal,e a instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de ensino regular.
§ 1º As instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos de que trata o caput devem ter atuação na educação especial e serem conveniadas com o Poder Executivo doente federativo competente.
§ 2º O apoio técnico e financeiro de que trata o caput contemplará as seguintes ações:
I - aprimoramento do atendimento educacional especializado já ofertado;
II - implantação de salas de recursos multifuncionais;
III - formação continuada de professores, inclusive para o desenvolvimento da educação bilíngue para estudantes surdos ou com deficiência auditiva e do ensino do Braile para estudantes cegos ou com baixa visão;
IV - formação de gestores, educadores e demais profissionais da escola para a educação na perspectiva da educação inclusiva,particularmente na aprendizagem, na participação e na criação de vínculos interpessoais;
V - adequação arquitetônica de prédios escolares para acessibilidade;
VI - elaboração, produção e distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade; e
VII - estruturação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior.
§ 3º As salas de recursos multifuncionais são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado.
§ 4º A produção e a distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade e aprendizagem incluem materiais didáticos e paradidáticos em Braille, áudio e Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS,laptops com sintetizador de voz,s o f t w a re s  para comunicação alternativa e outras ajudas técnicas que possibilitam o acesso ao currículo.
§ 5º Os núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior visam eliminar barreiras físicas, de comunicação e de informação que restringem a participação e o desenvolvimento acadêmico e social de estudantes com deficiência.

Art. 6º O Ministério da Educação disciplinará os requisitos,as condições de participação e os procedimentos para apresentação de demandas para apoio técnico e financeiro direcionado ao atendimento educacional especializado.

Art. 7º O Ministério da Educação realizará o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dos beneficiários do benefício de prestação continuada, em colaboração como Ministério da Saúde, o Ministério do Desenvolvimento Social eCombate à Fome e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidênciada República.

Art. 8º O Decreto nº 6.253, de 2007, passa a vigorar com as seguintes alterações:

Art. 9º-A. Para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, será admitida a dupla matrícula dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado.
§ 1º A dupla matrícula implica o cômputo do estudante tanto na educação regular da rede pública, quanto no atendimento educacional especializado.
§ 2º O atendimento educacional especializado aos estudantes da rede pública de ensino regular poderá ser oferecido pelos sistemas públicos de ensino ou por instituições comunitárias,confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuaçãoexclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente, sem prejuízo do disposto no art. 14." (NR)

Art. 14. Admitir-se-á, para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cômputo das matrículas efetivadas na educação especial oferecida por instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente.
§ 1º Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas na rede regular de ensino, em classes comuns ou emclasses especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou especializadas. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20072010/2007/Decreto/D6278.htm - art1
§ 2º O credenciamento perante o órgão competente do sistema de ensino, na forma do art. 10, inciso IV e parágrafo único,e art. 11, inciso IV, da Lei nº 9.394, de 1996, depende de aprovação de projeto pedagógico." (NR)

Art. 9º As despesas decorrentes da execução das disposições constantes deste Decreto correrão por conta das dotações próprias consignadas ao Ministério da Educação.

Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 11. Fica revogado o Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008.

Brasília, 17 de novembro de 2011; 190º da Independência e123º da República.
DILMA ROUSSEFF
Fernando Haddad

A partir daí, podemos concluir que para que ocorra a inclusão eficiente de nossos alunos com deficiência é importantíssimo o atendimento  na sala de recursos multifuncionais, onde o Professor Especialista irá elaborar um plano individual pedagógico voltado para seu desenvolvimento, recursos que o auxiliem a eliminar barreiras e estratégias de ação para o trabalho na sala regular. Para isso, é necessária a parceria com o professor da sala regular, para que este também possa compreender e respeitar as necessidades e especificidades desses alunos.

Fonte:portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/defmental.pdf

28 de mai de 2016

Transtorno do Espectro Autista - Dúvidas e questionamentos

Iniciei em 2015 nova jornada profissional onde ingressei, de certa forma, nesse mundo desconhecido e tão fascinante do Autismo. Para minha surpresa, os alunos Autistas atendidos, eram bem diferentes daqueles que eu ouvia falar, uma vez que além do Autismo severo, apresentavam outras comorbidades, agravando mais a situação; sendo necessária a atuação de uma equipe clínica para a realização do trabalho pedagógico.
A partir daí decidi estudar e me aprofundar no assunto; pois até então havia passado pela experiência em consultório Psicopedagógico, atendendo crianças com dificuldades de aprendizagem, partindo para Educação Especial no Atendimento Educacional Especializado, onde meu público alvo era de alunos com Deficiência Intelectual, e me vejo com uma missão bem mais complexa: entender esse mundo tão diferente e singular, que é o mundo de nossos alunos com TEA.
Dessa forma, tentarei me dedicar a postar informações sobre o assunto, a partir de meus estudos e minha prática.

É fato que o tema Autismo vem sendo muito discutido atualmente, e não é por menos, já que nossas escolas estão recebendo um bom número de alunos com o diagnóstico.
Muitas dúvidas surgem com relação á atuação em sala de aula; a questão é que precisamos entender um pouco mais dessa “síndrome comportamental”, como nomeiam alguns especialistas, para pensar em elaborar estratégias de ação para o ensino de nossos alunos autistas.
Hoje, vamos falar um pouco sobre DSM V, já que é um pouco confusa ainda a nomenclatura que devemos usar: Autismo, transtorno global do desenvolvimento, Transtorno do Espectro Autista, dentre outros.

Então, vamos lá!!!



DSM é o Manual de Transtornos Mentais , ou seja, contém todos os transtornos Neuropsiquiátricos, inclusive o TEA (Transtorno do Espectro Autista).
É um manual que contém critérios diagnósticos de transtornos mentais em todas as fases da vida. Foi criado em 1952 pela AAP Academia Americana de Psiquiatria com a finalidade de organizar e sistematizar os transtornos mentais existentes desde 1840, sendo embasado em estudos clínicos e evidências científicas reunidas a cada 10 ou 15 anos, formado por comissões de especialistas e profissionais afins, em constante atualização.


É importante esclarecer que o manual é referência para o diagnóstico, mas não somente ele; é necessária a observação da criança, de seu perfil de desenvolvimento, das comorbidades, dentre outros, para se efetivar o diagnóstico.
No Brasil, o manual auxilia no diagnóstico, porém para fins jurídicos ou de informação para as escolas e outros profissionais, utiliza-se o Cid 10 (Código Internacional de Doenças).

O DSM V foi atualizado em 2013, e nele é possível perceber mudanças a respeito do critério de diagnóstico do Autismo, onde era divido em cinco apresentações clínicas.
  •  Autismo (clássico)
  • Síndrome de Rett
  • Transtorno Desintegrativo da Infância
  • Transtorno Global de Desenvolvimento não Específico
  • Síndrome de Asperger

Com a atualização o DSM V normatizou as características globais do autismo, saindo a Síndrome de Rett, e a Síndrome de Asperger com nova nomenclatura Desordem da Comunicação Social, dentro do Autismo leve. Além disso, entra a noção do espectro (relacionado à sombra ou projeção do indivíduo. Assim sendo, caso a criança ou adolescente apresentem traços do autismo (ainda que leve), isolado ou em comorbidade com outras condições, tem-se o diagnóstico de TEA.

O TEA foi dividido em graus de intensidade, até mesmo  com a finalidade de abordagem terapeutica.

Autismo leve - Asperger e Autismo de alto funcionamento
Autismo moderado -marcada  incapacidade de comunicação e com interesses muito restritos
Autismo severo - severa incapacidade de qualquer flexibilidade social ou comunicação


Como é feito o diagnóstico?



Minha intenção não é o de incentivar o diagnóstico, de nossas crianças, feito por professores ou outros profissionais que não sejam médicos; bem pelo contrário, é mostrar o quanto é complexo e sério o diagnóstico de TEA, para que antes de dizer que o aluno parece não ter nada, e que o diagnóstico está errado, entender em qual quadro o mesmo se encaixa.

O DSM V dividiu o TEA em quatro critérios:

Critério A – déficits persistentes em comunicação ou interação social.
A1 Déficit na reciprocidade social e emocional com partilha reduzida de interesses e de continuidade de diálogos.
A2 Déficit na comunicação social não verbal (gestos, contato visual, linguagem corporal e expressão facial).
A3 Dificuldade em gerar e manter relacionamentos e de ajustar seu comportamento de acordo com o contexto.

Critério B – Padrões repetitivos e interesses restritos de comportamento e atividade.
B1 Movimentos, uso de objetos e linguagem estereotipada (repetitiva sem função social).
B2 Rituais e resistência ás mudanças.
B3 Interesse exagerado em assuntos ou tópicos.
B4 Hiper ou pobre reação á estímulos sensoriais do ambiente ou procura excessiva por esses estímulos.

Critério C – Presença dos sintomas (A e B) em idade precoce da vida (infância) e em mais contextos sociais.

Critério D – Sintomas em conjunto devem limitar a funcionalidade da criança (seja acadêmica, social, afetiva).

Seguindo os padrões do DSM V, para ter o Diagnóstico de TEA é necessário apresentar três sintomas do critério A, juntamente com dois do critério B.



Fonte: Neurosaber, Autismo e Ensino
Vídeos You tube








18 de fev de 2015

ARTE E VIVÊNCIA NO CONTEXTO DO AEE (Atendimento Educacional Especializado)

O projeto abaixo é de minha autoria e faz parte de meu trabalho diário. Foram três anos de dedicação, com erros e acertos durante o processo. Acredito que a Arte é o diferencial no trabalho com crianças com NEE, desde que haja planejamento e objetivos claros e bem definidos.
Estou divulgando, pois acredito em sua funcionalidade. 



Professora Especializada

Cristiane Carminati Maricato



Justificativa

Em 2012 ingressei na rede de ensino Municipal de Taboão da Serra, como professora de Educação Especial, no Atendimento Educacional Especializado. Iniciei meu trabalho na EMEF Vinicius de Moraes, localizada no bairro São Judas, e lá permaneci por três anos.
O público alvo atendido na escola é de alunos com deficiência intelectual (alguns com laudo e outros em investigação médica), apresentado comprometimento em várias áreas, como: dificuldade na aquisição de leitura e escrita, dificuldade voltada para cálculos matemáticos, para compreender comandas, para narrar fatos seguindo sequência de ideias, pobreza de repertório e vocabulário, além de dificuldades nas habilidades motoras e também voltadas para a realização de tarefas da vida diária e autonomia.
Muitos alunos se isolavam durante as aulas e recreio, tinham vergonha de conversar, dar ideias e opinião; outros não entendiam o que o (a) professor(a) solicitava, mas não esclareciam as dúvidas por insegurança.
Por esse motivo, eu procurava elaborar atividades que desenvolvessem as habilidades prejudicadas e valorizassem suas potencialidades, de forma a auxiliar o desenvolvimento dos alunos. No entanto, os mesmos não demonstravam entusiasmo por alguns jogos ou em ouvir histórias e discuti-las. Foi aí que pensei em fazer algo que chamasse a atenção da turma, como contar histórias onde todos usavam fantasias e acessórios; e deu certo, pois os alunos queriam recontar as histórias, ou contar uma história diferente, fazendo o papel dos personagens, e assim começamos a trabalhar com pequenas peças de teatro, que auxiliaram na melhora da comunicação, expressão de sentimentos e na espontaneidade.
A partir daí, pensei em trabalhar também com expressão criativa, focando um pouco em Artes Visuais, e para minha surpresa sempre que falava que era dia de pintura os alunos ficavam muito entusiasmados.
O ano de 2012 passou e iniciei 2013 com algumas atividades voltadas para Artes Visuais, sem deixar de lado as leituras com peças teatrais.
Organizei o trabalho a partir do conhecimento das cores primárias, secundárias e terciárias, partindo da pintura a dedo para outras técnicas; também elaborei trabalhos com a utilização das formas geométricas, recorte e colagem, onde finalizamos o trabalho com um lindo mural.
Aos poucos observei que os alunos atendidos começaram a apresentar progresso na coordenação motora fina, nas capacidades de atenção e observação, e fiquei muito feliz, mas ainda precisavam fazer algo para o desenvolvimento da coordenação motora grossa, equilíbrio, postura, dentre outros. Então, surgiu a ideia de fazer atividades voltadas para conhecimento do próprio corpo, com atividades de movimento, utilizando corda, bambolês, brincadeiras como amarelinha, coelho sai da toca, corre cotia, etc, e por fim atividades com circuito.
Tinha dia em que os alunos demonstravam muita agitação e essas brincadeiras só acabavam por agitá-los mais e por isso, para acalmá-los, acrescentei o momento do relaxamento, trabalhando com música clássica e alguns exercícios corporais.
Essas atividades foram feitas ao longo do ano, sendo inseridas em projetos variados. Mas ao observar o resultado positivo, neste ano de 2014, pensei em elaborar um projeto único com foco na Arte, de forma a desenvolver as habilidades prejudicadas na deficiência intelectual; pensando na Arte em todas as vertentes, com objetivos claros e bem definidos, mas inserindo-a também em temas relacionados ao cotidiano do aluno.
O projeto foi apresentado para o trio gestor e com o apoio do mesmo pude dar continuidade, porém de forma mais estruturada.
Como alguns dos alunos que atendo participam do “Projeto Mais Educação” onde frequentam oficinas variadas, como dança, Karate, Capoeira, Leitura e Pintura, pensei em estender a parceria e fiz a proposta para a Coordenadora do projeto que aceitou e se prontificou a nos auxiliar no que fosse preciso. Inclusive nos convidando para excursões onde o tema estivesse ligado ao projeto (museu para conhecer obras de Artes, Teatro, Parques, dentre outros).

Objetivo

É comum ouvirmos falar em Arte como o momento de descontração para os alunos, cujo objetivo principal é dar espaço á criatividade e incentivar à expressão artística.
Essa ideia não é de toda errada; no entanto, no contexto do AEE, pensando nos alunos com deficiência intelectual, essa área de conhecimento assume fundamental importância.
Pensar em Arte apenas como fazer desenhos, pinturas e elaborar painéis é subestimar sua funcionalidade.
O ensino da Arte torna-se importante para o desenvolvimento, cognitivo, motor e social dos alunos, pois o conhecimento em arte amplia a possibilidade de compreensão do mundo e colabora para um melhor entendimento dos conteúdos relacionados a outras áreas do conhecimento, tais como matemática, língua, história e geografia.
  •     Artes visuais (com maior amplitude que artes plásticas, englobando artes gráficas, vídeo, cinema, fotografia e as novas tecnologias, como arte em computador, programa Paint e software educativo de pintura): proporciona conhecimento das cores, primárias, secundárias e terciárias, com técnicas variadas; o desenvolvimento da percepção e memória visual, auxiliando no conhecimento de seu processo histórico, podendo ser relacionado ao conhecimento técnico do aluno. 
  •    Música: grande auxílio voltado para consciência fonológica, no conhecimento das rimas, aliterações, sons iniciais e finais das palavras ou frases; ampliação de repertório e melhora no vocabulário, bem como, desenvolvimento da memória e percepção auditiva.
  •   Dramaturgia/Teatro: além do desenvolvimento das capacidades de interação e socialização, a partir de jogos dramáticos os alunos deverão ser capazes de expressar suas ideias e decisões com maior confiança; explorar os recursos vocais (respiração, entoação, articulação); melhorar a expressão oral;  exprimir emoções, simular acontecimentos, representar personagens, trabalhando também com valores, representação de papéis e ampliação de repertório. 
  •   Dança/expressão corporal: trabalha com questões voltadas para desinibição e espontaneidade, conhecimento do próprio corpo (esquema e imagem corporal) desenvolvendo ou aprimorando a coordenação motora, agilidade, ritmo, equilíbrio estático e dinâmico, lateralidade e orientação espacial.


Metodologia

Como dito anteriormente, o projeto se deu a partir de uma experiência iniciada em 2012 e após alguns testes e atividades desenvolvidas, foi possível concluir a importância do trabalho com Artes no Atendimento Educacional Especializado, para os alunos com Deficiência Intelectual.
Dessa forma, nesse ano de 2014 o projeto foi organizado da seguinte forma:

Distribuição dos grupos de atendimento: 6 grupos de atendimento, com dois a três componentes por grupo.
Tempo de atendimento: duas horas por atendimento, sendo dois atendimentos por semana (total de quatro horas semanais).
Período: o projeto será desenvolvimento durante o ano, com temas variados nesse período.

OBS: Cada atividade citada representa um atendimento, sendo feito por etapas.


Primeiro semestre

  • Iniciamos as atividades do ano com o trabalho intitulado “ O lugar onde vivemos”, onde os alunos fizeram a representação do planeta Terra como imaginavam, utilizando apenas lápis de cor e canetinha. Após, discutimos a respeito desse conhecimento prévio e fizemos pesquisa em livros didáticos onde os alunos puderam ver as imagens de nosso planeta.
  • Em outro atendimento, assistiram uma simulação no computador mostrando o planeta Terra visto do espaço, se aproximando até chegar em nossa atmosfera. Os alunos puderam ver os continentes, o mar e chegar até nosso país. Também assistiram o desenho da turma da Mônica “ Um plano para salvar o planeta” e “ O mundo em que vivemos”, onde viram um pouco sobre a preservação do meio ambiente, trabalhando também com a conscientização de nossos alunos.
  • Os alunos demonstraram interesse e curiosidade pelo tema, dessa forma estendemos as atividades para o conhecimento do sistema solar, onde por meio da simulação em computador, puderam conhecer os planetas. Além disso, utilizaram um software educativo com um jogo onde deveriam colocar os planetas na órbita correta e finalizaram com a representação por meio de ilustração.
  • Assim, após adquirirem esse novo conhecimento, partimos para a representação do planeta Terra por meio de pintura a guache, utilizando a técnica da esponja. Os alunos fizeram uma belíssima representação de nosso planeta utilizando as cores azul, amarelo, verde e branco, que embora estejam presentes nas imagens apresentadas, acabaram por relacionar a nossa Bandeira, uma vez que estavam trabalhando com o tema copa do mundo, em sala de aula.
  • Aproveitando o tema, outras atividades de preservação do meio foram apresentadas e pudemos fazer algumas discussões e trabalhar com software para coleta de lixo e produção escrita onde o grupo deveria criar, assim como o desenho da turma da Mônica, um plano para salvar o planeta.
  • A exploração do Globo e experiências para saber quando é dia ou noite, também fizeram parte das atividades.
  • Para finalizar os alunos participaram de uma pequena peça teatral, onde criaram personagens como: caçador, animais e árvores, representando a destruição do meio ambiente.


OBS: Esse é um exemplo de como um tema acabou trazendo novas ideias e dessa forma foi possível trabalhar novos conhecimentos, dentro do contexto da Arte. Essa primeira parte do projeto teve a duração de um semestre e embora tenha sido dado enfase às Artes Visuais, concomitantemente foram desenvolvidas atividades voltadas para expressão corporal, com dança e música.

  • Juntamente com as atividades apresentadas os atendimentos da semana foram organizados onde um dia trabalhamos com leitura (contos, fábulas, parlendas e outros) fazendo discussões e representação dos personagens e no outro dia trabalhamos com momento do relaxamento com música.
  • Também trabalhamos com brincadeiras: toca do coelho, escravos de Jó, Corre cotia, alerta, corda, bambolê, pega-pega, mímica e circuito, para expressão corporal e desenvolvimento motor.


Segundo semestre

Para o segundo semestre foram elaboras atividades para releitura de obras conhecidas para a apresentação na Ação Cultural da escola, mas com a continuação das atividades propostas anteriormente.

Artes visuais: Utilização de várias técnicas de pintura (giz de cera, lápis de cor, pintura a dedo, pincel, esponja, pontilhado, com canudinho, texturas, recorte e colagem etc.), assim como de recursos tecnológicos para produção artística (fotos, livro virtual, utilização do Paint e pesquisa na internet).
Dentre as atividades destacam-se: apreciação e releitura de obras de pintores famosos para produção de mural para ação cultural ( Van Gogh, Tarsila do Amaral, Romero Brito, José Roberto Aguiar, Tinga Tinga, Claudio Tozzi, dentre outros), atividade com auto-retrato e aula livre, onde após conhecer várias técnicas o aluno poderá escolher a que mais lhe chamou atenção.
Dramaturgia/Teatro: Dentre as atividades destacam-se: mímica/expressão gestual e corporal, atividades com poemas, contos e peças teatrais baseadas em questões do cotidiano e em histórias trabalhadas previamente.
Dança/expressão corporal: Dentre as atividades destacam-se: momento do relaxamento, dança com coreografia, exercícios com bola, bambolê, corda, vai-vem, circuito e brincadeiras variadas (amarelinha, corre-cotia, dança das cadeiras, alerta, pega-pega). Aproveitando projetos e datas comemorativas que acontecem na escola: baile de carnaval, festa Junina, dentre outros tipos de apresentações.
Música: Dentre as atividades destacam-se: conhecimento de estilos diferenciados de música, utilizando a música clássica para exercícios de relaxamento e para as atividades de pintura, atividades utilizando músicas relacionadas à faixa etária dos alunos trabalhando com interpretação e compreensão da letra.
Aula passeio para conhecer algumas obras de pintura –  Palácio do Governo e Museu da Cultura Africana.
Aula passeio ao  parque CEMUCAM para atividades direcionadas e livres, voltadas para expressão corporal.

*Parceria como projeto “Mais Educação” – Coordenadora Beatriz Fortunato

Recursos Didáticos e materiais

Obras de autores famosos pesquisadas em livros e internet; programas de computador, como: Power Point e Paint, músicas variadas, cantigas de roda e parlenda; material para circuito (corda, bambolê, cones), instrumentos musicais, fantasias, livros de história, poema e câmera fotográfica.
Materiais diversos, como: sulfite, papel craft, papel espelho colorido, tinta guache, pincel, palito, canudinho, esponja, cola, tesoura, etc.

Avaliação

A avaliação será feita ao longo do projeto, estando relacionada diretamente aos objetivos propostos, onde será verificado o grau de desenvolvimento das habilidades, o interesse e a participação dos alunos, de forma a fazer as alterações e adaptações necessárias.
É importante avaliar se o projeto cumpriu com seu objetivo principal que é desenvolver as habilidades que auxiliarão no processo de aquisição de novos conhecimentos, que poderão ser utilizados não apenas no ambiente escolar, mas também fora dele.

OBS: As atividades serão elaboradas de acordo com a faixa etária, nível de desenvolvimento e necessidades dos alunos, sendo feitas as adaptações necessárias.

Embasamento teórico

Inicialmente o processo foi experimental, baseado em minha vivência a partir da verificação das dificuldades e necessidades dos alunos. Durante dois anos (2012 e 2013) foram feitas algumas experiências com atividades diversificadas e em 2014 lendo livro que recebi em um dos cursos que fiz, percebi que estava no caminho certo e decidi pesquisar alguns projetos para ter a certeza de que minha ideia não era descontextualizada.
Livro: Atendimento Educacional Especializado: Processos de Aprendizagem na Universidade. Organizadora Ana Clúdia Pavão Siliuk, Santa Maria 2013.
Dessa também foram pesquisados alguns sites:

Potencial de Impacto

Esse projeto pode trazer grandes benefícios aos alunos com deficiência, podendo melhorar a capacidade de se relacionarem com colegas e familiares, expressarem suas ideias e sentimentos, desenvolver as habilidades cognitivas e motoras. No entanto, existe um potencial maior, que é trazer a tona questões Culturais, já esquecidas em sala de aula, como conhecer obras arte, músicas variadas (ou até instrumentos musicais), como a música clássica, por exemplo, e adquirir o gosto em ouvi-las, ou pelo menos conhecer algo diferente do que estão acostumados e poder optar pelo que gostam; conhecer peças teatrais, as várias formas de se expressar.
Dessa forma adquirindo novos conhecimentos e abrindo as portas para conhecer melhor o mundo que os cerca.

Resultados imediatos

Os resultados mais significativos foram voltados para a expressão oral e coordenação motora fina.
Atendo três alunos que frequentam o 5º ano do Ensino Fundamental I, onde as professoras comentaram a melhora na participação oral durante as aulas, uma vez que devido ao grande comprometimento, esses alunos não leem e nem escrevem, e por isso não participavam das atividades e discussões. Atualmente, os alunos participam de forma oral e mesmo com dificuldade já conseguem dar respostas dentro do contexto, e narrando pequenos fatos seguindo a sequência de ideias, além da ampliação no repertório.
Observando as atividades de pintura, também foi possível perceber progresso no traçado, onde os alunos já conseguem pintar respeitando o espaço em folha, utilizando cores variadas, pois que é comum verificarmos o uso de uma só cor em pinturas de crianças com DI.

OBS: É importante lembrar que o ritmo de apresendizagem do aluno com deficiência é diferenciado, mais lento, devido a capacidade de internalizar as informações e por isso não podemos criar expectativas acima do que podem realizar.

Perspectivas de continuidade e sustentabilidade do trabalho

Acredito na continuidade do projeto, reestruturando-o de forma a atender os novos alunos que ingressarão no AEE. Acredito que após apresenta-lo á comunidade, com a exposição dos trabalhos na ação Cultural. Mas para que isso ocorra é necessário  maior investimento em materiais e recursos, para quem sabe os alunos fazerem uma exposição de seus trabalhos e até vendê-los, como forma de ajudar a família.

Conclusão

Por meio desse projeto procurei contemplar o desenvolvimento das habilidades essenciais aos alunos com deficiência intelectual (cognitiva, motora, afetiva e social) e ao mesmo tempo inseri-los no mundo da Arte, ampliando seus conhecimentos culturais, tornando-se também multiplicadores e se reconhecendo como seres históricos, com uma história única e ao mesmo tempo vinculadas a outras pessoas. A princípio, o projeto seria realizado apenas no AEE, mas foi tomando maior proporção, e a ideia é que possamos ampliá-lo cada vez mais, resgatando o trabalho com Artes nas escolas, em todas as suas vertentes.
A utilização dos recursos tecnológicos nos dias de hoje é imprescindível, e, por isso, procuramos trabalhar com fotos, softwares educativos, programas como o Paint e produzir um filme com o resumo das atividades desenvolvidas; no entanto, acredito que não podemos deixar de lado o trabalho com o corpo e o movimento, resgatando também as brincadeiras antigas que tanto auxiliaram no desenvolvimento das crianças, até alguns anos atrás. Dificuldades voltadas para orientação espacial, lateralidade, equilíbrio estático e dinâmico, dissociação de movimentos e tantos outros, são percebidos atualmente nas escolas, como consequência da ausência desse tipo de atividade.
Temos uma nova geração, com novas formas de pensar e agir, e precisamos aprender a compreendê-los, mas não podemos deixar de lado o que outrora possibilitou de forma grandiosa o crescimento humano ( A Cultura e a Arte).


Algumas atividades desenvolvidas
















Aula Passeio ao parque CEMUCAM



Aula Passeio ao Palácio dos Bandeirantes







Ação Cultural aberta à comunidade