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Sejam bem vindos!

Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e na sala de Recursos Multifuncionais (AEE).

8 de jan de 2013

Educação Cognitiva

Quando falamos em educação cognitiva muitos a entendem erroneamente como uma forma mecânica de ensino; onde os alunos aprendem por repetição, memorizando datas e conceitos. Assim, a impressão é de que os recursos de nosso cérebro são usados apenas para reter informações necessárias para determinadas situações (como para ser aprovado) sem, no entanto, ter a compreensão dessas informações, podendo relacioná-las a outras já conhecidas e utilizá-las em contextos diferenciados.
Na verdade a educação cognitiva é exatamente o contrário. Ela está ligada a construção do conhecimento, do pensamento crítico e reflexivo; assunto que vem sendo debatido há alguns anos, na tentativa de melhorar a qualidade de ensino/aprendizagem.
A contribuição de Jean Piaget é inegável, até para aqueles que consideram a Teoria Cognitiva insuficiente para explicar como o desenvolvimento e a aprendizagem acontecem.
Para Fonseca (2007) o ensino das competências cognitivas ou seu enriquecimento não deve continuar a ser ignorado pelo sistema de ensino, onde afirmam que essas competências não podem ser ensinadas ou não precisam ser ensinadas.
Essas duas afirmações não estão corretas, uma vez que as funções cognitivas podem ser melhoradas e treinadas; até porque não surgem automaticamente por maturação ou pelo desenvolvimento neuropsicológico.
Toda criança ou jovem, não importa seu grau de inteligência, deve adquirir as funções cognitivas básicas que possibilitem pensar logicamente, de maneira a perceber que o mundo tem uma forma estruturada e ordenada, aprender a aprender e aplicar sua inteligência em situações inéditas.
Ainda para o autor, a escola e a maioria das instituições sociais envolvidas na formação e qualificação de recursos humanos têm negligenciado as vantagens da educação cognitiva, cuja função não é ensinar conteúdos disciplinares ou matérias de conhecimento, mas desenvolver e maximizar os processos de captação, integração, elaboração e expressão de informação, ou seja, tudo que podemos definir como aprendizagem. De forma harmoniosa visa o desenvolvimento cognitivo e emocional dos indivíduos, proporcionando e fornecendo ferramentas psicológicas que permitam maximizar a capacidade de aprender a aprender, de pensar e  refletir, de aprender a transferir e a generalizar conhecimentos e de aprender a estudar e a comunicar, muito mais do que memorizar e reproduzir informação.

Mas como isso é possível?

Nesta situação o professor deixa de ser alguém que transmite conhecimento e passa a ser um mediador e investigador em ação.
Em sala de aula ele observa seus alunos: como utilizam os recursos cognitivos, como atendem e percebem os dados de um problema, como os processam, analisam, comparam, categorizam, que estratégias criam para elaborar, planificar e antecipar as respostas e como fazem uso de procedimentos de verificação e de controle para experimentarem as respostas ou soluções.
A partir dessas observações o professor terá o perfil cognitivo de seus alunos, conhecendo suas habilidades mais desenvolvidas e as menos desenvolvidas.
Assim, irá elaborar seu plano de aula baseado no desenvolvimento ou aprimoramento dessas habilidades, sempre incentivando a reflexão crítica, sem dar respostas prontas, mas guiando o aluno de forma que este busque as respostas.
É importante salientar que não se trata apenas de mais um método de ensino alternativo e de apoio pedagógico para alunos de baixo rendimento escolar; mas sim de um instrumento educacional que leva em consideração o conhecimento prévio do aluno e tem como pressuposto fundamental o respeito pelo seu perfil cognitivo.
Sabemos que existem disciplinas e conteúdos importantes para a formação do aluno. A intenção não é acabar com isso e deixar que aluno aprenda quando e o que bem entender. Esses conteúdos levam em consideração suas habilidades cognitivas, de forma que possam utilizá-los em situações fora do ambiente escolar. Só assim podemos dizer que de fato o aluno aprendeu.
Infelizmente, em algumas instituições educativas, os conteúdos são apenas transmitidos sem que os alunos compreendam sua importância.
A aprendizagem deve ser significativa e ter um objetivo.
Isso é educação cognitiva.

Fonte: Fonseca, Vitor da. Cognição, neuropsicologia e aprendizagem: abordagrm neuropsicológica e psicopedagógica. Ed.Vozes Ltda, 2007.


7 de jan de 2013

Quais são os DIREITOS da Pessoa com Deficiência Intelectual?

A pessoa com Deficiência Intelectual tem os mesmos direitos que todos os outros cidadãos:
 
1 -Tem direito a frequentar a escola regular e deve receber apoio para superar as suas dificuldades/necessidades.

2 -Tem direito aos serviços de saúde, aos recursos da comunidade e oportunidades de trabalho.

Contudo, existem alguns benefícios que podem ser requeridos pela pessoa com deficiência:

  • Benefícios de Prestação Continuada (BPC-LOAS) – Este é um beneficio assistencial, em que a pessoa com deficiência tem direito ao recebimento de um salário mínimo mensal, de forma continuada, de acordo com os termos da Lei Federal n º 8.742 de 7/12/1993.
  • Gratuidade no sistema de transporte municipal/intermunicipal – Bilhete Único especial – para utilização nos ônibus que circulam na cidade de São Paulo, metro e nos trens da CPTM ( concedido através da Lei Municipal de São Paulo n º 11.250, de 1/10/1992 e em razão do Convenio de Integração Tarifaria, firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo em 14/10/2006).
  • Gratuidade no sistema de transporte intermunicipal – Cartão Bom Especial
  • Gratuidade no sistema de transporte interestadual ( Concedido através da Lei Federal n º 8.899, de 29/6/1994).
  • Suspensão do rodízio de veículos de São Paulo.
  • Isenção de IPI, na aquisição de automóveis, diretamente ou por intermediário de um representante legal.

4 de jan de 2013

Tenho um aluno com Deficiência Intelectual. E agora, o que faço?

Os direitos à criança com NEEs (Necessidades Educacionais Especiais) devem ser respeitados, e um deles é o de frequentar a escola regular, tendo a oportunidade de conviver em grupo, adquirir novos conhecimentos e trocar experiências.

No entanto, embora alguns professores aceitem com naturalidade a diversidade em sala de aula, ter preparo para atender essa demanda é outra história.

Quando falamos em deficiência intelectual (DI) nos referimos a alunos com algumas síndromes (Síndrome de Down, Síndrome do X-Frágil, Síndrome de Prader-Willi, Síndrome de Angelman, Síndrome Williams, Erros Inatos de Metabolismo, como: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo congênito etc.), autismo, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e outros casos que não há um diagnóstico definitivo, mas é possível perceber, no aluno, um rendimento aquém do esperado e não que se trata de dificuldade de aprendizagem.
A partir daí é possível entender que alunos com DI também diferem uns dos outros. Então, deixo claro que não existe receita pronta, mas sim algumas dicas para melhor atender as necessidades de nossos alunos e o primeiro passo é se informar sobre o assunto:

A Deficiência Intelectual, segundo a Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento AAIDD, caracteriza-se por um funcionamento intelectual inferior à média, associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade. No dia a dia, isso significa que a pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. Muitas vezes, se comporta como se tivesse menos idade do que realmente tem; também pode apresentar dificuldades na área motora.

Mustacchi e Perez explicam que a incidência de comprometimento intelectual na população em geral é de 3% a 5%. Esse defeito quase não diminui a viabilidade, mas pode causar alguns prejuízos como o fato de tornar a pessoa dependente de seus familiares e ou de instituições.
O tratamento preponderantemente educacional ainda é difícil e prolongado; tanto a sociedade quanto os profissionais devem estar preparados para a inclusão de qualquer indivíduo, visando a sua progressiva capacitação para o exercício da cidadania; sem deixar de lado a grande importância da prevenção.
Os milhares de deficientes moderadamente ou severamente comprometidos, que tem alta hospitalar ou institucional, devem enfrentar uma integração à vida comunitária e isso constitui um desafio à capacidade da população em lidar com a complexidade desse tipo de problema e de corresponder de forma eficaz e eficiente às suas necessidades educacionais, salutares e profissionais.

Causas do Comprometimento Intelectual

Ainda segundo Mustacchi e Perez , as causas do comprometimento intelectual são muitas e frequentemente difíceis de descobrir. Isso porque a maioria delas age na fase pré ou perinatal e, para fazer um diagnóstico etiológico, os esforços dos especialistas de equipes multidisciplinares devem concentrar-se na coleta de informações pertinentes, seja por anamnese, por exames clínicos e por auxílio de exames laboratoriais subsidiários.
São três os aspectos mais importantes:

a) A história da gravidez e do parto, que pode fornecer indícios de causas ambientais (irradiações ionizantes, drogas, infecções, traumatismos e síndromes hipoxico-isquêmicos perinatais);

b) O heredograma que pode revelar outros afetados na família ou consanguinidade entre os progenitores do probando e pode sugerir, pela distribuição dos afetados, o tipo de herança;

c) A história do desenvolvimento neuropsicomotor desde o nascimento e suas possíveis relações com infecções e traumatismos sofridos pelo paciente. Ante um caso de suspeita de comprometimento intelectual, os passos a seguir são:

1) Determinar se realmente existe comprometimento intelectual. Tratando-se de um paciente que já fala, não é difícil comprovar o comprometimento, através de simples conversa com o paciente e seus responsáveis. Todavia, se o paciente é ainda criança pequena, ou se tem nível educacional e socialização insuficientes, são aconselháveis testes especiais, pois quanto mais cedo for comprovado o comprometimento, mais precocemente pode iniciar-se a educação complementar e a prevenção específica e dirigida;

2) Avaliar o “grau” de distúrbio por meio de Q.I. (quociente intelectual) – que ao nosso ver, propõe definir arbitrariamente um potencial específico de função do sistema nervoso central, determinado por modelo poligênico o qual sofre evidentes interferências ambientais, expressando-se de formas diferentes e pertinentes a situações e a momentos do desenvolvimento; do Q.S. (quociente social) e do Q.D. (quociente de desenvolvimento).

3) Fazer, quando possível, o diagnóstico etiológico. É necessário contar com o trabalho integrado de uma equipe de especialistas que possam realizar, com competência, os exames clínicos, neurológicos, psicológicos, fonoaudiológicos e etc. Os exames auxiliares também podem ser importantes, como por exemplo: Eletrocardiograma, ecodopplercardiografia, diagnóstico por imagem, bioquímico, de laboratório clínico, citogenético e biomolecular entre outros;

4) Realização do aconselhamento genético.

Segundo Reed e Reed (1965), excluindo os afetados por síndrome de Down, que são de diagnóstico seguro, cerca de 42% dos casos de comprometimento intelectual não revelam indícios que permitam decidir se sua origem é genética ou ambiental; a etiologia é claramente genética em 29% dos casos e apenas provavelmente genética em 19%; finalmente, em 10% a causa é provavelmente ambiental. Vê-se por essa estatística que ocorrem cerca de 5 vezes mais casos certa ou provavelmente hereditários (83%) do que supostamente ambientais (17%) entre aqueles que apresentam indicações que permitem um diagnóstico etiológico.

O comprometimento intelectual se dá por várias causas:

1) Causas pré-natais: As que acontecem antes do nascimento;
2) Causas perinatais: As que acontecem durante o parto;
3) Causas pós-natais: As que acontecem após o parto.


Como proceder em sala regular?

Após se inteirar sobre o assunto, o segundo passo, e de grande importância, é conhecer seu aluno; observá-lo, para conhecer suas habilidades, necessidades e dificuldades. Observar como se dá a interação com o grupo, sua comunicação, sua forma de compreender o que lhe é passado, suas habilidades e dificuldades motoras e cognitivas.
Esse processo não é feito em um dia; na verdade conforme forem feitas as observações, as estratégias de ensino serão elaboradas. E aí chegamos ao terceiro passo: elaborar jogos, brincadeiras e atividades respeitando o ritmo e as necessidades do aluno.


Trabalhando em sala regular ou na sala de recursos multifuncionais


É importante ressaltar que o trabalho lúdico com a criança com DI é de extrema importância para seu desenvolvimento.
Atividades apenas em folhas, para aprender a ler e escrever pode prejudicar mais a criança, caso ela não tenha desenvolvido ainda as habilidades necessárias para tal.
Para o professor da Educação Infantil esse não será o problema, mas no Ensino Fundamental onde a exigência é mais conteudista é um pouco mais complicado. O professor poderá inserir em seu plano de aula atividades, jogos e brincadeiras que trabalhem as habilidades cognitivas, motoras, afetivas e sociais dos alunos; auxiliando, dessa forma, não somente aos alunos com DI, mas toda a turma, refletindo em um melhor rendimento.
Assim, seguem algumas sugestões, sempre trabalhando com o corpo e o movimento, que é de grande importância na Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

Peteca: Trabalhando com a velocidade de reação e habilidades motoras.

Desenho de como a criança se vê e contorno do próprio corpo (feito pelo professor) em papel craft para que a criança tenha conhecimento de sua imagem e esquema corporal.

Quebra-cabeça: Capacidade de concentração, noção espacial, percepção visual e raciocínio.

Atividade de pintura a guache (utilizando pincel ou pintura a dedo): Dar espaço para a criatividade, desenvolvimento das habilidades manuais e conhecimento das cores.

Pega-varetas : Destreza, atenção e concentração

Jogos de encaixe: Criatividade, imaginação e habilidade motora para o encaixe.

Boliche: Orientação temporal, noção de força e velocidade, percepção espacial e cálculo matemático (relacionando a cor ao número de pontos).

Coelho sai da toca: Atenção, agilidade no raciocínio, habilidades motoras para saltar e correr.

Cabra-cega: Exige da criança equilíbrio, noção de espaço e estimula todos os sentidos. Para compensar a ausência da visão, a criança aguça a audição, olfato e percepção, daí a eficiência cognitiva e motora da brincadeira.

Esconde-esconde: Velocidade, noção de espaço e resistência física. A criança é estimulada a correr, disputar espaço, elaborar estratégia para não ser pega e superar seus limites. É um excelente exercício de resistência física e integração com o grupo.

Ciranda: Além da noção de espaço e equilíbrio, a ciranda revive as cantigas lúdicas que têm papel importante na formação das crianças, na medida em que despertam a imaginação e ajudam na desenvoltura na hora de se comunicar com outras pessoas.

Amarelinha: Equilíbrio, fortalecimento dos músculos das pernas, noção de espaço e trabalho com numerais.

Elefantinho colorido: Atenção, concentração, conhecimento das cores, agilidade no raciocínio e para mover-se.


*A utilização de softwares educativos, durante as aulas de informática, para o desenvolvimento cognitivo, também é interessante; basta saber qual escolher.


Fonte: http://www.apaesp.org.br/SobreADeficienciaIntelectual/Paginas/O-que-e.aspx
Genética Baseada em Evidências Síndromes e Heranças
Dr. Zan Mustacchi & Dr. Sergio Perez