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Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e na sala de Recursos Multifuncionais (AEE).

26 de dez de 2010

A Neurociência e a aprendizagem

Quando comecei a cursar a graduação em Pedagogia meu discurso era “quero entender como ocorre o processo de aprendizagem, para saber como atuar em sala de aula”.
Pois é, me formei e continuei com o mesmo discurso, já que a faculdade, infelizmente, não nos dá essa base. Aprendemos sobre fases de desenvolvimento, fases de construção da escrita, e outras, sem tocar no assunto “cérebro”.
O que é no mínimo um grande erro. Como posso ensinar meus alunos sem compreender que cada um tem seu ritmo? E mais do que isso; o que é que determina esse ritmo diferenciado?
Bom, decidi fazer pós-graduação em Psicopedagogia para atender crianças com dificuldades de aprendizagem (e mais uma vez entender como funciona nosso cérebro e como "surgem" determinadas dificuldades de aprendizagem) e me empolguei, pois dois módulos do curso eram voltados para a “Neuropsicologia e a aprendizagem”; mas, mais uma vez, me decepcionei com a abordagem pobre e pouco explorada, além do pouco interesse demonstrado pelos alunos.
O jeito foi estudar por conta própria, comprar livros e fazer pesquisas a respeito da neurociência. Fiquei feliz em saber que existe uma pós-graduação em neuropedagogia, e embora seja pouco divulgada nos dá informações importantíssimas acerca do funcionamento do cérebro no processo de aprendizagem (seja da escrita, leitura e habilidades matemáticas), podendo ser utilizada para atuar em sala de aula e em consultório.
Durante minhas pesquisas encontrei um artigo que resume muito bem a questão da “neurociência e a aprendizagem”; selecionei algumas partes e gostaria de dividir esse conhecimento com vocês.


O foco da educação tem sido o conhecimento a ser ensinado de maneira mecânica e igual a todos os alunos, sem a devida atenção à individualidade, numa demonstração de total falta de consciência da força que possuem os modelos mentais e da influência que eles exercem sobre o comportamento. Por sua vez os alunos, acostumados a perceber o mundo a partir da visão do docente, aceitam passivamente essa proposta pedagógica, desempenhando um papel de receptor de informações, as quais nem sempre são compreendidas e geram.


Pesquisas no campo educativo apontam o professor como um dos principais protagonistas da educação (DEMO, 2001; ASSMANN, 2001; MORIN, 2002). Entretanto, proporcionar uma boa aprendizagem para o aluno não depende só do professor, pois é fundamental para uma educação que pretende ajudar o aluno a perceber sua individualidade, tornando-o também responsável pelo ato de aprender, proporcionar a otimização de suas habilidades, facilitar o processo de aprendizagem e criar condições de aprender a aprender.


Nesse contexto conhecer o seu padrão de pensamento pessoal e saber como usá-lo é o primeiro passo para ser um participante ativo no processo de aprendizagem. A compreensão de como podemos lidar com certas características pessoais ajudará o aluno a identificar, mobilizar e utilizar suas características criativas e intuitivas, pois cada um aprende no seu próprio ritmo e à sua maneira.
Partindo desse pressuposto, ao professor cabe oferecer, através de sua prática, um ambiente que respeite as diferenças individuais permitindo que os aprendizes se sintam estimulados do ponto de vista intelectual e emocional. Daí a necessidade do educador, consciente de seu papel de interventor responsável pela mediação da informação, buscar estruturar o ensino de modo que os alunos possam construir adequadamente os conhecimentos a partir de suas habilidades mentais. E para isso, é imprescindível que conheçam os significativos estudos da neurociência, uma vez que esses, sem dúvida, influenciam na compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem.
No cérebro humano existem aproximadamente cem bilhões de neurônios e cada um destes pode se conectar a milhares de outros, fazendo com que os sinais de informação fluam em várias direções simultaneamente, as chamadas conexões neurais ou sinapses (BEAR, CONNORS, PARADISO, 2002, p. 704).
Se os estados mentais são provenientes de padrões de atividade neural, então a aprendizagem é alcançada através da estimulação das conexões neurais, podendo ser fortalecida ou não, dependendo da qualidade da intervenção pedagógica.
A pesquisa e o interesse em neurociências tem crescido em resposta à necessidade de, não somente entender os processos neuropsicobiológicos normais, mas também para respaldar a ciência da educação.
O estudo dos processos de aprendizagem e de todos os fatores que os influenciam, constitui um dos maiores desafios para a educação, pois ao entendê-lo e explicitá-lo, ocorre o desenvolvimento do sujeito dentro do contexto sócio-histórico, e é através dele que se forja a personalidade e a racionalidade humana para que o indivíduo esteja apto a exercer sua função social.
Durante todo ensino fundamental I, o professor é visto pelo aluno como um exemplo a ser seguido e sua opinião é de extrema consideração para o aprendiz. Assim, todo e qualquer parecer do professor em relação ao aluno, toma proporções determinantes para a formação da auto-estima do estudante.
Para a sala de aula, para a educação, a Neurociência é e será uma grande aliada para identificar cada ser humano, como único e para descobrirmos a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um.
A Neurociência traz para a sala de aula o conhecimento sobre a memória, o esquecimento, o tempo, o sono, a atenção, o medo, o humor, a afetividade, o movimento, os sentidos, a linguagem, as interpretações das imagens que fazemos mentalmente, o "como" o conhecimento é incorporado em representações dispositivas, as imagens que formam o pensamento, o próprio desenvolvimento infantil e diferenças básicas nos processos cerebrais da infância, e tudo isto se torna subsídio interessante e imprescindível para nossa compreensão e ação pedagógica. Os neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado. A plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar, até à senilidade ou à morte também altera nossa visão de aprendizagem e educação. Ela nos faz rever o “fracasso” e as dificuldades de aprendizagem, pois existem inúmeras possibilidades de aprendizagem para o ser humano, do nascimento até a morte.



9 comentários:

  1. Cristiane,

    Parabéns pela sua iniciativa em realizar e compartilhar este seu trabalho de pesquisa. Embora você revele que teve dificuldade de encontrar universidades que oferecem programas de pesquisa nesta area gostaria de saber se esta dificuldade restrige-se à região em que mora e portanto se conhece algum grupo com quem possa fazer contato para aprofundar estes estudos.

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  2. A mesma coisa aconteceu comigo. Venho buscando através da Internet e dos livros aprender como o aprendizado ocorre.

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  3. olá cristiane! durante muito tempo vivi essas inquietações na busca da descoberta de como ocorre o conhecimento.até começar minha especialização em neuropedagogia e aos poucos tenho respondido as minhas dúvidas.Recomendo o curso atodos que compartilham dessas inquietações. um abraço.Natal/rn

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  4. Olá Cristiane, meu nome é Valéria, o assunto muito me interessa e lendo o motivo pelo qual buscou saber um pouco mais sobre o cerebro, me fez identificar muito com você, pois estou nessa mesma busca.

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  5. A aprendizagem da forma como "ocorre" no individuo é uma busca constante, minhas inquietações são inúmeras, fiquei muito feliz que na neurociência podemos buscar respostas que venham nos ajudar nesse processo de ensino aprendizagem. obrigada pela dica!

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  6. Encontrando seu blog e a parabenizamos pelo interesse em conhecer mais sobre processos de aprendizagem. Sugerimos que visite o Portal Lou de Olivier onde poderá ler artigos que ela publica em revistas especializadas, pode assistir diversos videos e ainda conhecer os três livros disponiveis atualmente sendo dois voltados exclusivamente para elucidar Distúrbios de aprendizagem e de comportamento. E o terceiro sobre Psicopedagogia e Arteterapia. O portal está sempre em atualização e em breve terá novidades. Fique a vontade para acessa-lo e enviar seus comentarios. Em http://www.loudeolivier.com

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  7. Agradeço muito pela dica e com certeza acessarei o portal.
    Muito obrigada!!!

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  8. Oi Cris meu nome é Geana vou fazer meu tcc em cima desse assunto, gostaria muito de sua ajuda.

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