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Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e no Atendimento Educacional Especializado (sala de Recursos Multifuncionais).


6 de abr de 2010

Transtornos da linguagem

Os transtornos da linguagem são alterações que têm maior incidência na área expressiva. São caracterizados por déficits na compreensão ou produção, não ocorrem por estimulação lingüística pobre, perda auditiva, atraso mental, déficit motor ou doença neurológica.
O processo de aquisição da linguagem está alterado desde estágios precoces de desenvolvimento.

ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM COM MAIOR INCIDÊNCIA NA ÁREA EXPRESSIVA

Transtorno fonéticoAfetam a produção da linguagem. A dificuldade está localizada na área motora, articulatória; são chamados dislalias de desenvolvimento e tendem a desaparecer com o desenvolvimento, sem a necessidade de uma intervenção terapêutica. Se persistirem passam a ser considerados transtornos fonéticos. Podem ser devido a um déficit cognitivo, sensorial ou sócio-cultural, ou a um transtorno emocional.

Transtorno fonológicoRefere-se à dificuldade de fala nas crianças; afeta a discriminação auditiva perturbando os mecanismos de conceitualização dos sons e a relação entre significante e significado.
Apesar de o prognóstico ser positivo, é importante um programa de terapia da linguagem por volta dos 5 anos para evitar dificuldades posteriores na aquisição da lectoescrita.

DisglosiaÉ também chamada dislalia orgânica e caracteriza-se por alterações na articulação dos fonemas, devido a problemas congênitos ou adquiridos dos órgãos envolvidos na fala como a língua, os lábios, os dentes, a mandíbula e o palato.

Com origem labial - as encontradas com maior frequência são: lábio leporino, freio labial e paralisia facial e caracterizam-se pelas seguintes dificuldades de articulação: Nas consoantes P -B-M - Nas vogais O - U
Com origem dental – anomalia na forma e posição dos dentes; caracterizam-se pelas seguintes dificuldades de articulação: Dificuldade na pronúncia do - S
Com origem mandibular – alteração na forma de um ou dos dois maxilares produz transtornos na articulação.
Com origem lingual – freio lingual, paralisia da língua e malformações linguais referidas ao tamanho da língua; caracterizam-se pelas seguintes dificuldades de articulação: Dificuldade na articulação com R – LDificuldade com todas as consoantes (paralisia bilateral)
Com origem palatina – alterações orgânicas do palato ósseo e do palato mole; caracterizam-se pelas seguintes dificuldades: Substituição de S - J - Z - F - R por rouquidão faríngea. Alteração de todos os fonemas, exceto os nasais no sopro nasal. Alteração de T - D - L

DisartriaAbrande as dificuldades que se apresentam no ato motor da emissão oral. A causa encontra-se numa alteração no controle muscular dos mecanismos associados à fala. Normalmente é devido a uma lesão no sistema nervoso central.
Características: movimentos orais afetados, voz forçada, dificuldade na coordenação respiratória, presença de espasmos de glote, movimentos involuntários na língua e nos lábios dentre outros.

Dispraxia verbalAlteração grave da articulação que consiste numa impossibilidade de executar movimentos complexos; esta dificuldade não se deve a transtornos motores.
Características: alteração na gesticulação e na mímica voluntária, fluidez verbal escassa, alterações na organização dos fonemas, sílabas e palavras.

TaquifemiaForma desordenada e rápida de falar. O nível estrutural da linguagem não costuma ser afetado.
Características: tendência a falar muito rapidamente, omissão de sons e palavras completas dentro de uma frase, repetição de sílabas e palavras de forma inconsciente.

DisfemiaAlteração no ritmo da fala que se manifesta com interrupções na fluidez da palavra; também conhecida como gagueira.
DisfoniaAlteração da voz tanto na sua intensidade como no tom e timbre.
Características: incomodo ao engolir ou mastigar, rouquidão persistente, voz de resfriado com emissão incorreta de M - N, tendência a respiração bucal, fadiga ao falar.

ALTERAÇÕES DA LINGUAGEM QUE AFETAM A EXPRESSÃO E A COMPREENSÃO
 
Atraso da linguagemA linguagem surge mais tarde que o habitual e progride mais lentamente. A fala lembra a de uma criança menor. Não se sabe com certeza qual sua origem; normalmente é facilmente detectada na escola.
Características: ausência do jargão espontâneo entre o primeiro e segundo ano de idade, surgimento das primeiras palavras depois dos dois anos, surgimento das primeiras combinações de palavras depois dos três anos, vocabulário pobre, estruturas de frases excessivamente simples depois dos quatro anos.
 
DisfasiaTambém conhecida como atraso severo de linguagem; afeta significativamente a expressão; a compreensão é diminuída em menor grau.
Características: surgimento das primeiras palavras depois dos três anos, surgimento das primeiras combinações de palavras depois dos quatro anos, expressão oral esquemática e simples depois dos seis anos, dificuldades sérias no nível morfossintático e no semântico (dificuldade para conjugar verbos, na concordância de gênero-número, produção de enunciados longos, porém sem nexo de união nem flexão verbal), dificuldade de evocação, permanência de ecolalia antes de responder.
Afasia infantil congênitaÉ a mais grave patologia dentro dos transtornos na aquisição da linguagem. Apesar de ter a audição conservada a criança não pode processar a informação que lhe é apresentada pelo canal auditivo; no entanto se esta mesma informação lhe for apresentada visualmente, pode chegar a entendê-la.
Características: surgimento da linguagem aos cinco ou seis anos, expressão oral limitada a palavras únicas ou frases curtas, possibilidade de ausência da linguagem, no caso de haver linguagem, a articulação está alterada.
O diagnóstico é difícil e normalmente é feito descartando outras dificuldades.

Livro:Dificuldades de aprendizagem, detecção e estratégias de ajuda
Autoras: Ana Maria Salgado (Psicóloga )
Nora Espinosa Terán (Psicóloga)

4 comentários:

  1. Foi de essencial importancia para o entendimento de um trabalho de campo que estou fazendo, esclareceu algumas duvidas que surgiram durante a pesquisa!
    obrigado!!!!
    By: Natalia Pinheiro

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  2. Tenho em sala uma aluna com dificuldades em pronunciar muitas palavras, essa dificuldade tem influenciado sua escrita (os alunos em fase de alfabetização, muitas vezes escrevem fielmente a sua fala). Ela já realiza acompanhamento e terapia fonoaudiologica. Solicitei um relatório à fono, para acompanhamento de seu desenvolvimento, e a fono simplesmente não nos enviou relatório algum, enviou somente o caderno de exercícios orais que a aluna é orientada a praticar.... ou seja, desconfio piamente de que fonoaudióloga que a acompanha não tem grandes certezas de seu trabalho, pois não conseguiu expor num mero relatório o que ocorre com esta aluna. As informações constantes neste site me foram de grande ajuda. Esclarecedoras, porém suscintas e diretas, sem rodeios. Vou me valer destas, para tentar orientar a fonoaudióloga a elaborar o relatório que necessitamos para acompanhamento da aluna e tentarmos buscar em sala, atividades que também possam contribuir neste processo. O que me choca e me chateia é que profissionais de áreas bastante específicas demonstrem relutância ou desentendimento em comentar seu próprio trabalho... Obrigada pela ajuda!

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  3. Olá Juliana, infelizmente o procedimento é esse. Normalmente a Fono envia o caderno para verificarmos o que está sendo trabalhado no momento. É bem dificil enviar um relatóio para a escola uma vez que por ética esse relatório deve ser destinado apenas a família. Vocês podem tentar contatá-la por telefone apenas para saber se está havendo evolução ou a família pode solicitar um breve relatório sobre essa evolução. Esclareça a família as dificuldades apresentadas em sala de aula para que eles possam cobrar da Fono, mas lembre que cada profissional tem sua função, muitas vezes pode ser falta de parceria sim, mas outras apenas mal entendido. Vale a pena tentar compreender o que está ocorrendo para auxiliar a aluna. Boa sorte!!!

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  4. a intenção era essa: parceria.... vamos continuar tentando contato com a fono.
    obrigada pelo seu retorno e atenção.

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