A aprendizagem e suas dificuldades
Boas vindas
Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e na sala de Recursos Multifuncionais (AEE).
09/06/2013
08/01/2013
Educação Cognitiva
Na verdade a educação cognitiva é exatamente o contrário. Ela está ligada a construção do conhecimento, do pensamento crítico e reflexivo; assunto que vem sendo debatido há alguns anos, na tentativa de melhorar a qualidade de ensino/aprendizagem.
Nesta situação o professor deixa de ser alguém que transmite conhecimento e passa a ser um mediador e investigador em ação.
07/01/2013
Quais são os DIREITOS da Pessoa com Deficiência Intelectual?
1 -Tem direito a frequentar a escola regular e deve receber apoio para superar as suas dificuldades/necessidades.
- Benefícios de Prestação Continuada (BPC-LOAS) – Este é um beneficio assistencial, em que a pessoa com deficiência tem direito ao recebimento de um salário mínimo mensal, de forma continuada, de acordo com os termos da Lei Federal n º 8.742 de 7/12/1993.
- Gratuidade no sistema de transporte municipal/intermunicipal – Bilhete Único especial – para utilização nos ônibus que circulam na cidade de São Paulo, metro e nos trens da CPTM ( concedido através da Lei Municipal de São Paulo n º 11.250, de 1/10/1992 e em razão do Convenio de Integração Tarifaria, firmado entre o Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo em 14/10/2006).
- Gratuidade no sistema de transporte intermunicipal – Cartão Bom Especial
- Gratuidade no sistema de transporte interestadual ( Concedido através da Lei Federal n º 8.899, de 29/6/1994).
- Suspensão do rodízio de veículos de São Paulo.
-
Isenção de IPI, na
aquisição de automóveis, diretamente ou por intermediário de um representante
legal.
04/01/2013
Tenho um aluno com Deficiência Intelectual. E agora, o que faço?
Quando falamos em deficiência intelectual (DI) nos referimos a alunos com algumas síndromes (Síndrome de Down, Síndrome do X-Frágil, Síndrome de Prader-Willi, Síndrome de Angelman, Síndrome Williams, Erros Inatos de Metabolismo, como: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo congênito etc.), autismo, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e outros casos que não há um diagnóstico definitivo, mas é possível perceber, no aluno, um rendimento aquém do esperado e não que se trata de dificuldade de aprendizagem.
A Deficiência Intelectual, segundo a Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento AAIDD, caracteriza-se por um funcionamento intelectual inferior à média, associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade. No dia a dia, isso significa que a pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. Muitas vezes, se comporta como se tivesse menos idade do que realmente tem; também pode apresentar dificuldades na área motora.
Trabalhando em sala regular ou na sala de recursos multifuncionais
É importante ressaltar que o trabalho lúdico com a criança com DI é de extrema importância para seu desenvolvimento.
Atividades apenas em folhas, para aprender a ler e escrever pode prejudicar mais a criança, caso ela não tenha desenvolvido ainda as habilidades necessárias para tal.
Para o professor da Educação Infantil esse não será o problema, mas no Ensino Fundamental onde a exigência é mais conteudista é um pouco mais complicado. O professor poderá inserir em seu plano de aula atividades, jogos e brincadeiras que trabalhem as habilidades cognitivas, motoras, afetivas e sociais dos alunos; auxiliando, dessa forma, não somente aos alunos com DI, mas toda a turma, refletindo em um melhor rendimento.
Assim, seguem algumas sugestões, sempre trabalhando com o corpo e o movimento, que é de grande importância na Educação Infantil e Ensino Fundamental I.
Peteca: Trabalhando com a velocidade de reação e habilidades motoras.
Desenho de como a criança se vê e contorno do próprio corpo (feito pelo professor) em papel craft para que a criança tenha conhecimento de sua imagem e esquema corporal.
Quebra-cabeça: Capacidade de concentração, noção espacial, percepção visual e raciocínio.
Atividade de pintura a guache (utilizando pincel ou pintura a dedo): Dar espaço para a criatividade, desenvolvimento das habilidades manuais e conhecimento das cores.
Pega-varetas : Destreza, atenção e concentração
Jogos de encaixe: Criatividade, imaginação e habilidade motora para o encaixe.
Boliche: Orientação temporal, noção de força e velocidade, percepção espacial e cálculo matemático (relacionando a cor ao número de pontos).
Coelho sai da toca: Atenção, agilidade no raciocínio, habilidades motoras para saltar e correr.
Cabra-cega: Exige da criança equilíbrio, noção de espaço e estimula todos os sentidos. Para compensar a ausência da visão, a criança aguça a audição, olfato e percepção, daí a eficiência cognitiva e motora da brincadeira.
Esconde-esconde: Velocidade, noção de espaço e resistência física. A criança é estimulada a correr, disputar espaço, elaborar estratégia para não ser pega e superar seus limites. É um excelente exercício de resistência física e integração com o grupo.
Ciranda: Além da noção de espaço e equilíbrio, a ciranda revive as cantigas lúdicas que têm papel importante na formação das crianças, na medida em que despertam a imaginação e ajudam na desenvoltura na hora de se comunicar com outras pessoas.
Amarelinha: Equilíbrio, fortalecimento dos músculos das pernas, noção de espaço e trabalho com numerais.
Elefantinho colorido: Atenção, concentração, conhecimento das cores, agilidade no raciocínio e para mover-se.
*A utilização de softwares educativos, durante as aulas de informática, para o desenvolvimento cognitivo, também é interessante; basta saber qual escolher.
Fonte: http://www.apaesp.org.br/SobreADeficienciaIntelectual/Paginas/O-que-e.aspx
08/04/2012
O desenvolvimento do pensamento matemático
- A criação de todos os tipos de relações – a criança que pensa na sua vida cotidiana, consegue raciocinar sobre muitos outros assuntos ao mesmo tempo.
- A quantificação de objetos – deve-se apoiar a criança a pensar sobre o número e quantidade de objetos, quantificando-os com conhecimento lógico, comparando conjuntos móveis.
- Interação social com os colegas e os professores – apoiar a criança a conversar com seus colegas e imaginar como está desenvolvendo o raciocínio em sua cabeça.
http://www.pedagogiaaopedaletra.com/posts/resenha-do-livro-a-crianca-e-o-numero-implicacoes-educacionais-da-teoria-de-piaget-por-atuacao/
04/03/2012
Psicopedagogia Clínica X Institucional: qual é a diferença?
Existe alguma diferença na atuação do profissional clínico e institucional, ou é apenas uma questão de ambientes diferentes?Existe sim. O Psicopedagogo clínico trabalha em consultório atendendo crianças, jovens ou adultos, com dificuldades de aprendizagem, tendo a parceria de outros profissionais (Pediatra, Neuropediatra, Fonoaudiólogo, Psicólogo, Psicomotricista, dentre outros) para o caso de haver necessidade de encaminhamento. Neste caso, o profissional atua em uma linha terapêutica, onde diagnostica, desenvolve técnicas remediativas, orienta pais e professores de forma que seu trabalho seja integrado e não individual.
Já o Psicopedagogo institucional dá assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para melhoria das condições do processo de ensino-aprendizagem, assim como para prevenção dos problemas de aprendizagem. Utilizando de técnicas e métodos próprios, possibilita a intervenção Psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar procura construir um espaço adequado às condições de aprendizagem e consequentemente evitando comprometimentos.
Dentre suas atribuições destacam-se:
DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS SOCIO-EDUCATIVOS, A FIM DE RESGATAR VALORES E AUTOCONHECIMENTO.
DESENVOLVIMENTO DE AÇÕES PREVENTIVAS, DETECTANDO POSSÍVEIS PERTUBAÇÕES NO PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM.
Existe alguma semelhança na atuação do profissional clínico e institucional?É claro que existe. Independentemente da área de atuação, o profissional precisa conhecer e compreender como se dá o processo de construção do conhecimento, assim como conhecer as dificuldades de aprendizagem e possíveis formas de intervenção.
Precisa saber até onde pode ajudar e o momento certo para fazer o encaminhamento. Seu trabalho nunca é individual; deve buscar constante aprimoramento.
* Em resposta as dúvidas de alguns seguidores.
24/01/2012
Sugestões para intervenção

Sopa de letrinhas
Memória sequencial (também para o conhecimento das cores e figuras geométricas)



Jogos voltados para a alfabetização (desde que a criança esteja pronta para ser alfabetizada, ou seja, tenha desenvolvido as habilidades motoras e cognitivas necessárias para tal)


Atividades de pintura, com recursos variados, para conhecimento das cores, incentivo à criatividade, desenvolvimento das habilidades motoras manuais, atenção e concentração

Jogo (quebra-cabeça) para atenção, concentração e raciocínio
Jogos de encaixe para desenvolvimento das habilidades motoras manuais
Jogo para discriminação de semelhanças e diferenças, atenção, concentração, memória e ampliação de repertório
17/04/2011
Mapa Mental
1- Use um caderno sem pauta, de preferência bem grande. Use lápis ou canetas coloridas. As cores estimulam sua imaginação e dão uma melhor visão do todo. Comece no meio do papel com uma imagem colorida. Uma imagem vale por mil palavras, encoraja pensamentos criativos e aumenta a memória.
2- Faça ramificações e escreva nelas palavras-chave referentes ao assunto.
3- Evite escrever várias palavras na mesma ramificação. As palavras devem ser unidades, assim cada uma fica livre para você pendurar nela tantos outros conceitos quantos forem necessários.
4- Desenhe caixinhas para as coisas que considerar mais importantes. Lembre-se que você está fazendo um desenho, e não escrevendo um texto. Desenhe setas para mostrar a relação entre as ramificações que ficam em partes diferentes do mapa.
5- Como sua mente gera idéias muito rapidamente, sem pausas, não se preocupe com a organização. Isto ficará para o final do exercício.
6- Depois de anotar tudo que vier à sua mente, faça a edição do seu Mapa Mental. Uma das formas é traçar círculos ou "nuvens" sobre as atividades afins, de preferência usando cores diferentes para cada área.
7- Acrescente números para dar a ordem de importância ou para indicar uma ordem adequada, uma seqüência nas suas anotações.
8- Faça tantas edições quantas forem necessárias para ter um Mapa Mental completo e que ajude você ao máximo a alcançar o seu objetivo.
Uma vez editado seu mapa, você terá uma representação reduzida com as informações mais relevantes e de forma mais abstrata. Será mais fácil a memorização daquele assunto mapeado. Agindo assim, aos poucos você aprende a enxergar a essência do assunto e a refinar conceitos. Achando idéias e conceitos-chave em tudo o que for estudar, seu estudo fluirá melhor.
Esta também é uma ótima estratégia na Clinica Psicopedagógica. Segue abaixo um modelo para orientá-los melhor.
Fonte: Revista do Psicopedagogo, ano 1, volume 1 -outubro/2010 http://www.slideshare.net/logba/introduo-ao-modelo-de-mapas-mentais http://www.teoriadacomplexidade.com.br/
11/01/2011
Avaliação cognitiva do desenho
É isso que difere os testes projetivos utilizados na Psicopedagogia dos testes utilizados na Psicologia, pois os últimos são voltados para a investigação da personalidade e comportamento, dentro do âmbito emocional. Testes como o par educativo, o desenho da família, da figura humana e outros, são muito utilizados em consultório; no entanto a aplicação do desenho livre com o objetivo de avaliar o desenvolvimento cognitivo é pouco utilizado e conhecido. Este teste pode ser uma ferramenta importantíssima para avaliar e detectar um possível atraso no desenvolvimento cognitivo da criança, tanto na clínica como em sala de aula.
Análise Piagetiana
1 - Garatuja: Faz parte da fase sensório-motora e parte da fase pré-operacional. A criança demonstra extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo contraste, mas não há intenção consciente.
Aqui a expressão é o jogo simbólico: "eu represento sozinho". O símbolo já existe.
2 - Pré- Esquematismo: Dentro da fase pré-operatória, aparece a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Quanto ao espaço, os desenhos são dispersos inicialmente, não relaciona entre si. Então aparecem as primeiras relações espaciais, surgindo devido a vínculos emocionais. A figura humana torna-se uma procura de um conceito que depende do seu conhecimento ativo, inicia a mudança de símbolos. Quanto a utilização das cores, pode usar, mas não há relação ainda com a realidade, dependerá do interesse emocional. Dentro da expressão, o jogo simbólico aparece como: "nós representamos juntos".
3 - Esquematismo: Faz parte da fase das operações concretas. Esquemas representativos, afirmação de si mediante repetição flexível do esquema; experiências novas são expressas pelo desvio do esquema. Quanto ao espaço, é o primeiro conceito definido de espaço: linha de base. Já tem um conceito definido quanto a figura humana, porém aparecem desvios do esquema como: exagero, negligência, omissão ou mudança de símbolo. Aqui existe a descoberta das relações quanto a cor; cor-objeto, podendo haver um desvio do esquema de cor expressa por experiência emocional. Aparece na expressão o jogo simbólico coletivo ou jogo dramático e a regra.
4 - Realismo: Também faz parte da fase das operações concretas, mas já no final desta fase. Existe uma consciência maior do sexo e autocrítica pronunciada. No espaço é descoberto o plano e a superposição. Abandona a linha de base. Na figura humana aparece o abandono das linhas. As formas geométricas aparecem. Maior rigidez e formalismo. Acentuação das roupas diferenciando os sexos. Aqui acontece o abandono do esquema de cor, a acentuação será de enfoque emocional. Tanto no Esquematismo como no Realismo, o jogo simbólico é coletivo, jogo dramático e regras.
5 - Pseudo Naturalismo: Estamos na fase das operações abstratas. É o fim da arte como atividade espontânea. Inicia a investigação de sua própria personalidade. Aparecem dois tipos de tendência: visual (realismo, objetividade); háptico (expressão subjetividade). No espaço já apresenta a profundidade ou a preocupação com experiências emocionais (espaço subjetivo). Na figura humana as características sexuais são exageradas, presença das articulações e proporções. A consciência visual (realismo) ou acentuação da expressão, também fazem parte deste período. A expressão aparece como: "eu represento e você vê”. Aqui estão presentes o exercício, símbolo e a regra.
Modelos de desenhos
Neste desenho é possível verificar que há rebatimento ou dobragem. Foi feita uma nuvem de cada lado e três flores de cada lado também.
Neste desenho apesar de perceber de imediato o rebatimento, uma árvore de cada lado, o que chama atenção é a transparência ou raios-x, ou seja, podemos ver o que está acontecendo dentro da casa.
Neste desenho podemos observar que as carteiras podem ser vistas de cima, ou seja, plano deitado.
Neste desenho percebemos a transparência ou raio-x, uma vez que não vemos frutas penduradas na árvore desta forma; mas o que chama atenção é o exagero, pois o caracol é do tamanho da árvore. As setas dão impressão de movimento, cinético, mas é sempre importante perguntar para a criança o que significa.
Todas as características apresentadas no desenho fazem parte do Realismo intelectual ou da fase Esquemática e estão de acordo com a idade das crianças (entre 6 e 7 anos). Pode acontecer de um mesmo desenho apresentar características de duas fases, significando a transição de uma fase para outra. Neste caso levamos em consideração o que está mais evidente.
Fonte: Material fornecido no curso de análise de desenho, oferecido pela Central Didática. Site: www.profala.com/arteducesp62.htm
26/12/2010
A Neurociência e a aprendizagem
Pois é, me formei e continuei com o mesmo discurso, já que a faculdade, infelizmente, não nos dá essa base. Aprendemos sobre fases de desenvolvimento, fases de construção da escrita, e outras, sem tocar no assunto “cérebro”.
O que é no mínimo um grande erro. Como posso ensinar meus alunos sem compreender que cada um tem seu ritmo? E mais do que isso; o que é que determina esse ritmo diferenciado?
Bom, decidi fazer pós-graduação em Psicopedagogia para atender crianças com dificuldades de aprendizagem (e mais uma vez entender como funciona nosso cérebro e como "surgem" determinadas dificuldades de aprendizagem) e me empolguei, pois dois módulos do curso eram voltados para a “Neuropsicologia e a aprendizagem”; mas, mais uma vez, me decepcionei com a abordagem pobre e pouco explorada, além do pouco interesse demonstrado pelos alunos.
O jeito foi estudar por conta própria, comprar livros e fazer pesquisas a respeito da neurociência. Fiquei feliz em saber que existe uma pós-graduação em neuropedagogia, e embora seja pouco divulgada nos dá informações importantíssimas acerca do funcionamento do cérebro no processo de aprendizagem (seja da escrita, leitura e habilidades matemáticas), podendo ser utilizada para atuar em sala de aula e em consultório.
Durante minhas pesquisas encontrei um artigo que resume muito bem a questão da “neurociência e a aprendizagem”; selecionei algumas partes e gostaria de dividir esse conhecimento com vocês.
Partindo desse pressuposto, ao professor cabe oferecer, através de sua prática, um ambiente que respeite as diferenças individuais permitindo que os aprendizes se sintam estimulados do ponto de vista intelectual e emocional. Daí a necessidade do educador, consciente de seu papel de interventor responsável pela mediação da informação, buscar estruturar o ensino de modo que os alunos possam construir adequadamente os conhecimentos a partir de suas habilidades mentais. E para isso, é imprescindível que conheçam os significativos estudos da neurociência, uma vez que esses, sem dúvida, influenciam na compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem.
No cérebro humano existem aproximadamente cem bilhões de neurônios e cada um destes pode se conectar a milhares de outros, fazendo com que os sinais de informação fluam em várias direções simultaneamente, as chamadas conexões neurais ou sinapses (BEAR, CONNORS, PARADISO, 2002, p. 704).
Se os estados mentais são provenientes de padrões de atividade neural, então a aprendizagem é alcançada através da estimulação das conexões neurais, podendo ser fortalecida ou não, dependendo da qualidade da intervenção pedagógica.
A pesquisa e o interesse em neurociências tem crescido em resposta à necessidade de, não somente entender os processos neuropsicobiológicos normais, mas também para respaldar a ciência da educação.
O estudo dos processos de aprendizagem e de todos os fatores que os influenciam, constitui um dos maiores desafios para a educação, pois ao entendê-lo e explicitá-lo, ocorre o desenvolvimento do sujeito dentro do contexto sócio-histórico, e é através dele que se forja a personalidade e a racionalidade humana para que o indivíduo esteja apto a exercer sua função social.
Durante todo ensino fundamental I, o professor é visto pelo aluno como um exemplo a ser seguido e sua opinião é de extrema consideração para o aprendiz. Assim, todo e qualquer parecer do professor em relação ao aluno, toma proporções determinantes para a formação da auto-estima do estudante.
Para a sala de aula, para a educação, a Neurociência é e será uma grande aliada para identificar cada ser humano, como único e para descobrirmos a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um.
A Neurociência traz para a sala de aula o conhecimento sobre a memória, o esquecimento, o tempo, o sono, a atenção, o medo, o humor, a afetividade, o movimento, os sentidos, a linguagem, as interpretações das imagens que fazemos mentalmente, o "como" o conhecimento é incorporado em representações dispositivas, as imagens que formam o pensamento, o próprio desenvolvimento infantil e diferenças básicas nos processos cerebrais da infância, e tudo isto se torna subsídio interessante e imprescindível para nossa compreensão e ação pedagógica. Os neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado. A plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar, até à senilidade ou à morte também altera nossa visão de aprendizagem e educação. Ela nos faz rever o “fracasso” e as dificuldades de aprendizagem, pois existem inúmeras possibilidades de aprendizagem para o ser humano, do nascimento até a morte.
15/12/2010
A brincadeira e a aprendizagem
Até pouco tempo atrás as crianças brincavam para se distraírem e darem um pouco de “sossego” para pais e professores. As brincadeiras de esconder, pega-pega, amarelinha, cabra-cega, eram as mais usadas, assim como dominó, baralho e jogos de percurso que sempre foram a sensação de pré- adolescentes e adolescentes.
Brincar na rua era um sentimento de liberdade; as crianças se juntavam no final da tarde para brincar e os pais ficavam observando e conversando com a vizinhança.
No entanto, hoje as coisas mudaram um pouco; criança que brinca na rua não é bem vista, e os pais com medo da violência preferem ficar em casa. As crianças preferem brincar no computador ou com vídeo game, deixando aquelas brincadeiras tradicionais, que fizeram parte de nossa cultura, de fora.
E como consequência vemos um grande número de crianças com dificuldades de aprendizagem; escrevem mal e ninguém entende a letra, não resolvem situações problemas, pois não têm desenvolvido o raciocínio lógico e dedutivo, não produzem textos, pois não têm criatividade e tantas outras dificuldades.
A questão é que não existe desculpa para essa situação, já que temos conhecimento de que a brincadeira é fundamental para o desenvolvimento infantil, seja social, cognitivo, psicológico, dentre outros.
A criança que brinca entra em contato com um mundo que é a representação do mundo em que vivemos, com regras e valores que fazem parte de sua cultura, e cria personagens e papéis que representam essa realidade. Entram em conflitos, experimentam emoções variadas, alegria, tristeza, raiva, sentimento de perda, além de trabalhar com o auto-conhecimento.
É bem clara a diferença de uma criança que brinca de amarelinha, pega-pega, e jogos de percurso, da criança que passa o dia inteiro em frente a TV ou jogando vídeo-game; esta não tem equilíbrio, boa coordenação motora e raciocínio rápido, enquanto que a anterior apresenta bom desenvolvimento da área psicomotora e cognitiva.
A fala também pode ser estimulada pela brincadeira onde a criança pequena com gestos se comunica com os outros e aos poucos vai desenvolvendo a linguagem, estruturando-a e enriquecendo seu vocabulário.
Assim fica fácil concluir o porquê da brincadeira ser tão importante.
As escolas também precisam estabelecer uma rotina para seus alunos, onde o brincar seja permitido. O aluno aprenderá a ler e a escrever com maior facilidade se sua rotina for dividida entre lições e brincadeiras. E por que não ensiná-los a ler e escrever de forma lúdica?
Trabalhar com o lúdico não é perda de tempo, como muitos ainda acham, e muito menos adequar a infra-estrutura da escola permitindo um ambiente de integração por meio da brincadeira.
A brincadeira não faz parte da aprendizagem, pois ela é puramente a aprendizagem que vai sendo modificada e ficando mais complexa ao longo dos anos de acordo com o crescimento e desenvolvimento humano.
Do ponto de vista da legislação, o Estatuto da criança e do adolescente (BRASIL, Lei 8.069/90) considera a atividade lúdica um direito da criança e um dever do Estado, da família e da sociedade proporcionar condições para este exercício.
A lei, no entanto, não é suficiente para garantir que as crianças possam dispor de tempo, local, material e acompanhamento de adultos para se ocuparem com brincadeiras. As diferentes condições socioculturais vivenciadas determinam uma diversidade de possibilidades de exercício da atividade lúdica.
06/12/2010
Contos de fada: passa tempo ou auxiliar na contrução do conhecimento infantil?
__Queridos filhos, vocês já estão bem crescidos. Já é hora de terem mais responsabilidades para isso, é bom morarem sozinhos.
__Cuidem-se! Sejam sempre unidos! - desejou a mãe.
Cada porquinho queria usar um material diferente.
O primeiro porquinho, um dos preguiçosos foi logo dizendo:
Já que cada um vai fazer uma casa, eu farei uma casa de tijolos, que é resistente. Só quando acabar é que poderei brincar. – Respondeu o mais velho.
Para Piaget, o desenvolvimento do raciocínio moral é uma conseqüência do desenvolvimento cognitivo e afetivo. Os sentimentos morais referem-se a sentimentos voltados para “o que é necessário fazer e não para o que é desejável e preferível fazer”.
Durante o trabalho com o conto dos três porquinhos a criança utilizará sua imaginação para “fazer parte da história” e, a partir daí, poderá refletir sobre os acontecimentos, criando suas próprias hipóteses e fazendo julgamento sobre os acontecimentos
Nesse período, o raciocínio moral ainda está em desenvolvimento e este tipo de atividade representa um grande avanço em relação às capacidades da criança.
06/09/2010
Avaliação do TDAH
Para maiores esclarecimentos verifiquem a postagem sobre transtornos de atenção.
O questionário abaixo é denominado SNAP-IV e foi construído a partir dos sintomas do Manual de Diagnóstico e Estatística - IV Edição (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiátrica. Você também pode imprimir e levar para o professor preencher na escola. Esta é a tradução validada pelo GEDA – Grupo de Estudos do Déficit de Atenção da UFRJ e pelo Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência da UFRGS.

O questionário SNAP-IV é útil para avaliar apenas o primeiro dos critérios (critério A) para se fazer o diagnóstico. Existem outros critérios que também são necessários.
CRITÉRIO A: Sintomas (vistos acima)
Como suspeitar do diagnóstico:
1) Pelo menos 6 sintomas VERDES e menos que 6 sintomas ROSA: TDAH Tipo Predominantemente Desatento
Pelo menos 6 sintomas ROSA e menos que 6 sintomas VERDES: TDAH Tipo Predominantemente Hiperativo-Impulsivo
6 ou mais sintomas VERDES e 6 ou mais sintomas ROSA: TDAH Tipo Combinado.
2) Os CRITÉRIOS B, C, D devem obrigatoriamente ter resposta SIM.
3) O CRITÉRIO E necessita da avaliação de um especialista, uma vez que os sintomas do Critério A ocorrem em muitos outros transtornos da infância e adolescência.
Se os critérios A, B, C, D e E estiverem atendidos de acordo com o julgamento de um especialista, o diagnóstico de TDAH é garantido.
02/09/2010
Alfabetização Fônica
Recentemente fiz um curso sobre consciência fonológica, já havia feito outro há alguns anos, e mais uma vez fiquei encantada. Com certeza este método não somente deve ser utilizado em sala de aula, mas como forma de intervenção para crianças que apresentam dificuldades na lectoescrita.
Trabalhando de forma lúdica e sistemática o método constrói uma aprendizagem sólida e progressiva, elevando a auto-estima e proporcionando prazer ao descobrir esse mundo.
Seguem algumas atividades que acredito serem muito úteis na clínica Psicopedagógica.







10/07/2010
Dislexia
Pesquisas atuais, obtidas através de exames por imagens do cérebro, sugerem que os disléxicos processam as informações de um modo diferente, tornando-as pessoas únicas; cada uma com suas características, habilidades e inabilidades próprias (Associação Nacional de Dislexia, 2005).
A dislexia torna-se evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Apesar de instrução convencional, adequada inteligência e oportunidade sócio-cultural, a criança falha no processo da aquisição da linguagem. Isto é, ela independe de causas intelectuais, emocionais ou culturais. Ela é hereditária e a incidência é maior em meninos, numa proporção de 3/1, sendo que a ocorrência é de cerca de 10% da população Mundial (Nicco, 2005), embora freqüências altas de 20% a 30% tenham sido relatadas (Hallahan & Kauffman, 2000).
Apesar dessa alta incidência, considerada por alguns autores como uma das mais comuns deficiências de aprendizado (Gorman, 2003), o diagnóstico ainda não é facilmente realizado.
Ao contrário de outras pessoas que não sofrem de dislexia, os disléxicos processam informações em uma área diferente de seu cérebro; embora os cérebros de disléxicos sejam perfeitamente normais. A dislexia parece resultar de falhas nas conexões cerebrais. Ou seja, uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. Ela passa então a analisar as palavras, dividindo-as em sílabas e fonemas e relacionando as letras a seus respectivos sons. À medida que a criança adquire a habilidade de ler com mais facilidade, outra parte de seu cérebro passa a se desenvolver; sua função é a de construir uma memória permanente que imediatamente reconheça palavras que lhe são familiares. À medida que a criança progride no aprendizado da leitura, esta parte do cérebro passa a dominar o processo e, conseqüentemente, a leitura passa a exigir menos esforço. O disléxico, entretanto, no processo de leitura, recorre somente à área cerebral que processa fonemas. A conseqüência disso é que disléxicos têm dificuldade em diferenciar fonemas de sílabas, pois sua região cerebral responsável pela análise de palavras permanece inativa. Suas ligações cerebrais não incluem a área responsável pela identificação de palavras e, portanto, a criança disléxica não consegue reconhecer palavras que já tenha lido ou estudado. A leitura se torna um grande esforço para ela, pois toda palavra que ela lê aparenta ser nova e desconhecida (Gorman, 2003).
Alguns pesquisadores acreditam que quanto mais cedo é tratada a dislexia, maior a chance de corrigir as falhas nas conexões cerebrais da criança (Gorman, 2003), contudo só podemos considerar que alguém é disléxico, após dois anos de vivências leitoras. Antes deste período podemos detectar "dificuldades ou transtornos de leitura", que já necessitam de cuidados especiais, numa postura preventiva (Estill, 2005).
Segundo Estill (2005) existem diversos sinais visíveis nos comportamentos e nos cadernos das crianças, que podem auxiliar aos pais e educadores a identificar precocemente alguns aspectos preditivos de dislexia, entre eles:
• Demora nas aquisições e desenvolvimento da linguagem oral;
• Dificuldades de expressão e compreensão;
• Alterações persistentes na fala;
• Copiar e escrever números e letras inadequadamente;
• Dificuldade para organizar-se no tempo, reconhecer as horas, dias da semana e meses do ano;
• Dificuldades para organizar seqüências espaciais e temporais, ordenar as letras do alfabeto, sílabas em palavras longas, seqüências de fatos;
• Pouco tempo de atenção nas atividades, ainda que sejam muito interessantes;
• Dificuldade em memorizar fatos recentes - números de telefones e recados, por exemplo;
• Severas dificuldades para organizar a agenda escolar ou da rotina diária;
• Dificuldade em participar de brincadeiras coletivas;
• Pouco interesse em livros impressos e escutar histórias.
Os mesmos sintomas podem indicar outras síndromes neurológicas ou comportamentais.Identificado o problema de rendimento escolar ou sintomas isolados, que podem ser percebidos na escola ou mesmo em casa, deve-se procurar ajuda especializada.Uma equipe multidisciplinar formada por: Psicóloga, Fonoaudióloga e Psicopedagoga Clínica deve iniciar uma minuciosa investigação. Essa mesma equipe deve ainda garantir uma maior abrangência do processo de avaliação, verificando a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista, Otorrinolaringologista e outros, conforme o caso. A equipe de profissionais deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia.
De acordo com Gonçalves (2005), grande parte da intervenção Psicopedagógica estará em buscar os talentos do disléxico, afinal os fracassos, sem dúvida, ele já os conhece bem. Outra tarefa da clínica Psicopedagógica é ajudar essa pessoa a descobrir modos compensatórios de aprender. Jogos, leituras compartilhadas, atividades específicas para desenvolver a escrita e habilidades de memória e atenção fazem parte do processo de intervenção. À medida que o disléxico se percebe capaz de produzir poderá avançar no seu processo de aprendizagem e iniciar o resgate de sua auto-estima.
















